Terça-feira, 04 de Agosto de 2015
Arquidiocese de Mariana

30/jul/2012
O pão da vida

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

Em Cafarnaum Jesus declarou a seus discípulos: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim, nunca mais terá fome, e o que crê em mim nunca mais terá sede” (Jo 6,35). Estas palavras de Cristo revelam os efeitos da Eucaristia na vida de quem tem fé. O pão eucarístico é fonte da vida eterna, uma vez que se trata de uma união íntima com Cristo, alimento da alma. Daí sua importância capital na vida cristã.

A vida eterna ninguém a pode ter por si mesmo sem a comunhão no corpo e sangue de Cristo.  Este alimento celestial a pode comunicar, dado que o pão consagrado é o próprio Filho de Deus, a Sabedoria eterna, a Verdade substancial. Então o ser racional se purifica, torna-se o homem novo, inteiramente renovado pelo Corpo de seu Redentor.

Trata-se de um fortalecimento para os embates da vida e o papa Leão Magno lembrava que o fiel, alimentado por este pão, se torna vigoroso para enfrentar o inimigo de sua salvação. Dá-se, além disto,  um invisível crescimento espiritual e o cristão marcha então nas veredas da santidade. Adere-se, contudo,  ao Pão da vida apenas pela fé, ficando os seguidores de Cristo incorporados nele de uma maneira toda especial: Ele em nós e nós nele.

Ocorre, em consequência,  uma união profunda dos membros do Corpo Místico com a sua Cabeça que é o divino Salvador. Donde ser assim  a Eucaristia sinal da unidade da Igreja e da união de todos os cristãos entre si. O Pão da vida, deste modo, não comunica sua vida pela Eucaristia senão à sociedade dos santos que é esta Igreja una, católica, apostólica.  Eis porque se diz que se trata do mistério da fé. Esta fé cresce animada pelo Espírito Santo e leva ao amor que une todos em Cristo, o que é realmente um dos efeitos maravilhosos deste Sacramento.

Eis a razão pela qual os cristãos passam a ter uma vida unânime, porque assim tão profundamente unidos a Cristo. A Eucaristia é por excelência, de fato, o pão da concórdia, porque pelo dom do Espírito da Caridade do Pai e do Filho ela difunde maravilhosamente o amor nos corações. Foi o que bem entenderam os primeiros cristãos que insculpiram no frontispício das Igrejas o lema do amor: “Um só coração, uma alma” Aí está a razão pela  uma das condições para  se receber este Pão da vida é estar o cristão isento de todo e qualquer rancor contra o próximo, disposto a, em hipótese alguma, jamais  magoar o seu semelhante, cuidando continuamente de vigiar os pensamentos, palavras e obras que pudessem injustamente prejudicar a honra alheia, envolto num perdão cordial, sincero.

Na alheta de São Justino, de  São João Crisóstomo, de Santo Agostinho e tantos outros notáveis teólogos, o Papa Bento XVI na sua Encíclica “Deus é Amor” mostrou que a Eucaristia exprime o dom de Deus manifestado em Jesus Cristo presente no coração daquele que nele crê, envolvendo os fiéis numa dileção sem fronteiras. É o que ensinou São Paulo aos Coríntios: “O cálice de bênção que abençoamos não é comunhão com o sangue de Cristo?

O pão que partimos não é comunhão com o corpo de Cristo? Já que há um único pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, visto que todos participamos desse único pão. (1 Cor 10,16-17). Não há dúvida, portanto, que a Eucaristia significa que o amor de Deus e o amor do próximo estão profundamente relacionados entre si. Deste modo a celebração do culto eucarístico e o agir humano se acham em estreita relação de fé. Seria uma contradição uma Comunhão que não se traduzisse em uma prática concreta da caridade fraterna.

O serviço do próximo permite assim sempre melhor descobrir quem é Deus, dado que o encontro como Senhor na Eucaristia renova a capacidade de amar os outros. Este Sacramento é  o sinal da unidade, liame da caridade, banquete pascal no qual Cristo é recebido em alimento  e a alma é cumulada de graça, unindo-se pela fé e pelo amor a todos os irmãos. Como doutrinou o bem-aventurado João Paulo II, a Eucaristia, pão da vida, deve ser compreendida como o dom de si mesmo e é a alma de toda vida cristã.

* Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

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