A IAM também é solidária

10/04/2017 às 11h37

Estamos na Quaresma, tempo de oração, jejum e esmola. Práticas que nos ajudam a humanizar dia a dia. Esse é por excelência um período em que todos, independente de serem católicos praticantes ou não, fazem penitência. Cada qual escolhe algo que faz em excesso para se privar, e viver bem depois a páscoa. É pena que muitas dessas penitências tornam-se estéreis, pois a pessoa faz o sacrifício durante quarenta dias, mas depois volta novamente ao excesso. Outros também não conseguem levar a êxito todo o período. E ainda há um grupo grande que só faz a penitência, não faz suas orações nem tão pouco, gestos de partilha e solidariedade. Assim, esvazia o sentido da quaresma e acaba por fazer simplesmente uma dieta. A contribuição para a IAM é um convite às crianças a fazer um sacrifício e depois doar. A doação será destinada a crianças carentes.

Nesse período, percebe-se que existe um grupo grande de pessoas que não vivem o espírito quaresmal, ou seja, não fazem nenhum sacrifício, pois julgam ser algo fora de moda ou uma bobagem; mas seguem conselhos de médicos ou gurus que as levam a fazer grandes esforços, em vista de um corpo saudável, esbelto, ou até mesmo para melhorar o comportamento. Creio que se vivessem bem a quaresma: rezando suas limitações, fazendo penitência dos excessos e partilhando com os mais necessitados, com toda certeza, teriam uma alma linda. O corpo

deve ser cuidado sim, mas sem exageros e vaidades; visto que, diante de Deus, devemos apresentar nossa alma e as boas obras.

Desse modo, as práticas quaresmais, somadas às propostas da IAM, nos educam para viver a humanidade em sua plenitude. Fomos criados por Deus e devemos manter sintonia com Ele, conhecer sua vontade, para assim, entendermos nossa vocação. Quem a descobre é feliz. Depois, devemos tomar consciência dos vários dons que Deus nos concede, como por exemplo, a penitência. Ela nos ajuda a dominar nossas vontades, vaidades, egoísmos, enfim; freamos os exageros que nos impedem de realizar a vontade de Deus. (Vejamos: Quem não estuda é reprovado. Privar-se de televisão, de celular ajudará a ter bom êxito nos estudos) Entretanto, quando o ser humano não consegue privar-se de algumas coisas em detrimento de outras, ele se afasta da realização plena, pois não conseguirá escolher o que é bom o que o fará feliz.

O privar-se quase sempre é de coisas boas, por isso é tão difícil, mas ao mesmo tempo libertador. Ao tomar consciência de que pode vencer a preguiça, o medo e tantos outros obstáculos, a pessoa se realiza e percebe a sua grandeza; sendo também (é) uma oportunidade para se conscientizar de que ao seu redor muitos vivem privações forçadas: pela falta de alimento, saúde, moradia, vestuário, etc.. Cabem, então, os gestos solidários, a partilha, para ajudar àqueles que se encontram em uma situação de sacrifício e sofrimento. Assim, mais uma vez, a pessoa se humaniza, pois desperta para o cuidado com o seu semelhante.

Vivemos em uma época em que as pessoas vivem próximas, mas não se encontram; moram, praticamente, no mesmo espaço, mas não se conhecem. A solidariedade, portanto, nos coloca em contato com os outros, sendo uma oportunidade de crescimento para ambas as partes. Desse modo, um bom exercício quaresmal faz bem em todos os aspectos: espiritualmente, pois está em sintonia com o criador; corporalmente, pois aprende a conviver com todas as coisas sem excessos e, socialmente, pois aprende a estabelecer relações de fraternidade e de misericórdia.

Enfim, votos que todos os cristãos aproveitem o tempo da graça de Deus para a conversão e possam, na Páscoa, fazer a experiência do Cristo Ressuscitado, não apenas pelas palavras ouvidas, mas através da experiência vivida. Feliz Páscoa a todos!


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