Liberdade em tempos liberais

24/02/2017 às 11h25

Muitos têm cobrado da Igreja uma posição mais rígida em relação aos novos costumes e liberdades que os filhos de hoje alcançaram e que vivem ao seu bel prazer, porque “ já não têm respeito pela autoridade dos pais”. Os pais perderam o domínio sobre os filhos no não enfrentamento da realidade corriqueira. O pai, questionado sobre conduta e procedimento bagunçado dos filhos, coloca a culpa na mãe que “ não soube educar”, uma vez que ele é o pai e, supostamente, deve cuidar do trabalho, do ganha pão e das necessidades materiais da família. Educar, nesse sentido, é coisa da mãe, a “dona do lar”, a responsável pela casa, pelo acompanhamento escolar e pela evolução educativa dos filhos. Cria-se a síndrome da pseudo-alteridade; um culpa o outro, depois se culpabilizam os outros, a Igreja, a sociedade, o sistema e tudo o que for entendido na gama dos envolvidos por essa história.

As pessoas não assumem seus erros e acertos na socioeducação dos filhos, da família e das corresponsabilidades inerentes à cultura, crescimento, religião e valorização existencial. O permissivismo toma conta das consciências, ou da falta delas, no tocante ao fazer, ao ser e ao querer. O ser humano se aliena, quando entrega seus problemas para o outro resolver, ou se torna indiferente quando já não pensa, não interage ou não se preocupa com as consequências danosas da falta de educação para a liberdade consciente. Aprendemos, no princípio do pensamento que “ eu sou eu e minhas circunstâncias”. O agir acompanha o ser. Daí, é fundamental formar o ser com ética, responsabilidade e sentido de liberdade. A libertinagem, que é a falsa liberdade, tem levado à destruição de valores humanos e depredado a capacidade de coexistência das pessoas. A partir momento que não interessam a cidadania, o respeito à diversidade e a valorização ética dos direitos e deveres, pode-se gestar a anticultura do ódio, da intolerância e do desrespeito ao meio ambiente e humano.

Não é fácil educar no mundo atual, mas não se prescinda de proximidade, de amor e de presença junto aos que carecem de vida e dignidade. Não se deixe que a televisão, a imprensa alienante e as autoridades mal intencionadas queiram orientar os jovens e as crianças para não se tornarem massas de manobra. Não joguemos nossa responsabilidade sobre os outros, mas com eles também possamos contar na arte de educar e de fazer o bem. Somos artífices da construção do verdadeiro amor e da liberdade responsável. E a Igreja tem muito a contribuir nessa edificação de valores. Basta abrir-se um pouco mais a ela, porque e mãe e mestra de todos os tempos.


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