“Necessitamos nos inquietar para ir às pessoas e anunciá-las a alegria do Evangelho”, diz assessor do COMIDI em entrevista

05/10/2017 às 10h48

Neste mês de outubro a Igreja no Brasil realiza a Campanha Missionária, que tem como tema “A alegria do Evangelho para uma Igreja em saída”. Para conhecer mais sobre a proposta do mês missionário e as ações missionárias na arquidiocese, o Departamento Arquidiocesano de Comunicação (DACOM) conversou com o assessor da Comissão Missionária Diocesana (COMIDI), padre Geraldo Trindade.

DACOM: A Campanha Missionária deste ano tem como tema “A alegria do Evangelho para uma Igreja em saída”. Como as comunidades e paróquias podem viver a alegria do Evangelho na vida missionária?

Padre Geraldo Trindade: A Campanha Missionária neste ano de 2017 está em sintonia com o magistério do papa Francisco, a partir das duas perspectivas de seu pontificado: a alegria do Evangelho e Igreja em saída. Essas duas realidades servem para apontar um caminho para a Igreja sob o pastoreio do nosso papa, mas que deve também trazer mudanças de mentalidades, práticas e evangelização em nossas comunidades. Uma das pistas mais importantes e necessárias para caminhar nesta perspectiva é não deixar que se perca o “frescor original do Evangelho”, ou seja, não permitir que a Pessoa de Jesus Cristo seja esquecido ou colocado à parte de nossas vidas e comunidades. Mas, pelo contrário, cada dia mais centrar nossas atividades nEle para que tenham a marca clara da fidelidade  ao Evangelho.

DACOM: Nos dias de hoje, quais são os desafios que dificultam a Igreja a seguir o conselho do Papa Francisco de ser uma Igreja em saída?

Padre Geraldo Trindade: Os desafios são os mais variados possíveis e dentre eles se destaca a dificuldade de ir além das estruturas que se postam à nossa frente e para vencer essa dificuldade é preciso que haja a conversão das estruturas, mas elas só são possíveis se há também a conversão pessoal, de cada um de nós que portamos o tesouro da fé. Outro desafio é o fechamento, que impede que se enxergue para além de si mesmo. Estamos em um tempo de fechamento do indivíduo em suas necessidades e interesses. Nossas comunidades, grupos pastorais e movimentos correm esse mesmo risco e aí se perde o sentido da união, do caminhar juntos ou como nos lembra o papa Francisco, da sinodalidade e da diocesaneidade.

DACOM: Um dos objetivos do mês missionário é despertar as pessoas para a missão. Como o COMIDI desenvolve esse despertar missionárias nos leigos da arquidiocese?

Padre Geraldo Trindade: A Comissão Missionária Diocesana (COMIDI) tem a função de aglutinar as fortalecer  e animar as forças missionárias presente na arquidiocese. Claro, que o princípio de caminhar junto e fortalecer as iniciativas já existentes é a prioridade, pois há muitas iniciativas nas paróquias de visitas aos doentes, às famílias, de descentralização das celebrações, de missões em nível paroquial e comunitário, de romarias e caminhadas evangelizadoras. O nosso seminário conta com a Comissão Missionária de Seminaristas que mantém vivo espírito missionário e articula as experiências missionárias. Há também grupos específicos que atuam com a missão, a Infância e Adolescência Missionária (IAM), Juventude Missionária (JM), a Equipe de Retiro Popular (EREPO), a missão CADB-Sobriedade, Missão Jovem. Temos também padres que estão em trabalho missionário fora de nossa arquidiocese, pois trazem esse desejo de partilhar com outras pessoas e comunidades a riqueza da experiência espiritual, de fé e de caminhada de nossa igreja particular e se põem nesse processo de ir ao encontro, de permitir o Espírito suscitar algo novo e renovador nas experiências vividas.

DACOM: O Projeto Arquidiocesano de Evangelização (PAE 2016-2020) tem como foco a missão. Como as pastorais e movimentos podem viver a experiência da missão com o PAE?

Padre Geraldo Trindade: A missão é uma das vertentes do nosso projeto de evangelização. Após a Conferência de Aparecida a Igreja se reconheceu dentro de um projeto muito maior do que de um período específico de missão, mas de uma missão permanente, onde cada grupo, pastoral, movimentos, comunidades, conselhos se veem e se reconhecem, pelo batismo, como verdadeiros e autênticos missionários. Dessa forma, precisamos e necessitamos colocar toda a nossa criatividade  e força para não deixar que caiamos na mesmice, nos esquemas mais ou menos, no desânimo, nos jogos de interesses; mas partir para uma ação alegre, audaciosa e amorosa por Deus para que o Evangelho produza e frutifique sempre mais. Necessitamos nos inquietar para ir às pessoas e anunciá-las a alegria do Evangelho e nesse intuito é preciso ter claro que a tendência é que cada dia mais às pessoas e a sociedade se afastam de suas raízes e marcas cristãs. Nós que temos fé e a vivemos na certeza da presença do Ressuscitado na nossa vida trazemos a responsabilidade de tornar sempre visível o Seu amor nas situações mais desafiadoras, tanto no nível social quanto nas realidades pessoais. Por isso, não basta a pastoral ou movimento se manter, é preciso se perguntar se está comunicando com verdade Jesus Cristo, se está comunicando o amor de Deus, se está levando alento e curando corações feridos. Aí reside uma inquietação que faz-nos impulsionar e dar mais e ir onde mais se precisa e às pessoas que mais necessitam da presença de Cristo e dos cristãos.

DACOM: Qual a importância do Dia Mundial das missões e da mensagem do Papa para esse dia?

Padre Geraldo Trindade: O Dia Mundial das Missões, que vem acompanhado com a mensagem do papa, serve para nos recordar a beleza do anúncio do Evangelho e quanto precisamos crescer em ações evangelizadoras atentas ao “ide” de Jesus, que nos impulsiona e nos leva a não nos conformar e aquietar enquanto existem pessoas que não ouviram falar de Jesus na África, na Ásia, na Oceania ou que ainda não fizeram a experiência com Cristo, como muitas regiões da Amazônia, nas periferias de nossas cidades, mas também àquelas pessoas que em suas periferias existenciais se encontram em solidão, tristes e com suas vidas sem sentido. Tendo diante de nós, como Igreja, tantas realidades diversas que precisam ser tocadas por Cristo devemo-nos sentir corresponsáveis e impulsionados em dar e fazer mais. Todos podem, basta querer e não se acomodar. Por isso o espírito missionário está desde o início da Igreja e nós somos os responsáveis para manter vivo este espírito.

DACOM: O que um jovem com desejo de viver uma experiência missionária deve fazer?

Padre Geraldo Trindade: Primeira coisa agradecer a Deus pela sua fé e ser uma pessoa que está na Igreja, na comunidade, que se faz presente, que reza, que se coloca à disposição, que não se envergonhe de amar a Cristo, a Igreja e as pessoas. Depois deve dar o passo de que para ser missionário necessita ter um coração solidário e ver em todas as oportunidades de ser presença de Cristo. Não ter medo de viver à altura do Evangelho e cada dia elevar seu coração ao bem, à simplicidade, praticar a caridade, o diálogo, buscar amar e ser agradável com todos... Na verdade, ser missionário não é uma fase é um estado inegociável da fé e por isso sempre devo levar Cristo pela minha vida e ação. Que ao nos verem, vejam Cristo!


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