Quinta-feira, 30 de Julho de 2015
Arquidiocese de Mariana

15/out/2012
Homilia de dom Francisco na abertura do Ano da Fé

O Ano da Fé, aberto oficialmente na Arquidiocese de Mariana na última quinta-feira, 11, foi marcado por uma celebração na Catedral Metropolitana, presidida por dom Francisco Barroso Filho, bispo emérito de Oliveira (MG). Nas paróquias da arquidiocese, o Ano teve sua abertura no dia 12, Solenidade de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil.

Em suas primeiras palavras, o bispo justificou tal celebração. “Com a Carta Apostólica Porta fidei de 11 de outubro de 2011, o papa Bento XVI  convocou um Ano da Fé, a começar no dia 11 de outubro de 2012 e cuja abertura oficial  estamos, hoje, realizando, nesta Celebração Solene”, confirmou.

Dom Barrososo ainda convidou os fiéis para, neste período, tentar entender de forma objetiva os meandros da fé. “Este Ano da Fé será, por certo, ocasião propícia, para os fiéis compreenderem, mais  profundamente, que o fundamento da fé cristã é o encontro com um acontecimento, com  uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte, um rumo decisivo. Com efeito, é neste encontro com o Cristo Ressuscitado que a fé poderá ser  redescoberta na sua integridade e em todo o seu esplendor”, disse.

Logo abaixo, confira na íntegra sua homilia proferida durante celebração por ocasião da abertura do Ano da Fé na arquidiocese:

 

ANO DA FÉ – CELEBRAÇÃO DA ABERTURA

 

Convocado que foi, para representar o Episcopado Brasileiro, entre os Padres Sinodais,  neste Sínodo dos Bispos, que ora se realiza, em Roma, o Sr. Arcebispo Dom Geraldo  Lyrio Rocha houve por bem confiar a mim a honrosa incumbência de presidir, em seu  nome, a Abertura Solene do Ano da fé, impossibilitado que se acha de fazê-lo,  pessoalmente.

Com a Carta Apostólica “Porta fidei” de 11 de outubro de 2011, o Papa Bento XVI  convocou um Ano da Fé, a começar no dia 11 de outubro de 2012 e cuja Abertura Oficial  estamos, hoje, realizando, nesta Celebração Solene.

O Papa fez coincidir esta Abertura do Ano da Fé, com a recordação de dois  acontecimentos que marcaram a face da Igreja, nos nossos dias: Os 50 anos do Concilio  Ecumênico Vaticano II e os 20 anos da Promulgação do Catecismo da Igreja Católica.

Este Ano da Fé, cuja Abertura Solene, estamos, agora, com alegria, celebrando,  terminará aos 24 de novembro de 2013, Solenidade litúrgica de Nosso Senhor Jesus  Cristo, Rei do Universo.

Guardar o Depósito da Fé foi sempre a missão que o Senhor confiou à Sua Igreja,  missão que ela vem cumprindo, fielmente, em todos os tempos.

Foi no dia 11 de outubro de 1962, que o Papa João XXIII confiou ao Concílio Vaticano II, por ele convocado, a tarefa de guardar e apresentar melhor o precioso  Depósito da Doutrina Cristã, para o tornar mais acessível aos fiéis de Cristo e a todos os  homens de boa vontade.

Compete, pois, ao Concílio Vaticano II empenhar-se por mostrar, serenamente, a força e a beleza da doutrina da fé, prosseguindo, assim, o caminho que a Igreja percorre, a mais de 20 séculos.

Foi no dia 25 de janeiro de 1985 que o Papa João Paulo II convocou uma Assembleia  Extraordinária do Sínodo dos Bispos, com a finalidade de celebrar as graças e os frutos  espirituais do Concílio Vaticano II, para assim, aprofundar o seu ensinamento.

Foi nesta ocasião que os Padres Sinodais expressaram o desejo de que fosse  composto um Catecismo ou Compêndio de toda Doutrina Católica, tanto em matéria de fé  como de moral, para que pudesse servir de ponto de referência para os Catecismos ou  Compêndios que viessem a ser preparados, nas diversas regiões.

O Concílio Vaticano II foi um acontecimento de fundamental importância como  preparação para a entrada da Igreja, no Terceiro Milênio. E é tal a riqueza de seu  conteúdo, que, 50 anos depois, ainda não foi compreendido ou assumido, na sua  totalidade.

Com efeito, são de uma riqueza incomparável os seus principais Documentos, entre  os quais, o “Sacrossanctum Concilium” e a Constituição Dogmática “Lumen Gentium”,  Luz dos Povos.

Este Ano da Fé será, por certo, ocasião propícia, para os fiéis compreenderem, mais  profundamente, que o fundamento da fé cristã é o encontro com um acontecimento, com  uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte, um rumo decisivo.

Com efeito, é neste encontro com o Cristo Ressuscitado que a fé poderá ser  redescoberta na sua integridade e em todo o seu esplendor.

Este Ano da Fé nos dará a oportunidade dc redescobrir, de cultivar e de testemunhar a  beleza de nossa fé e a alegria de sermos cristãos.

A fé é a resposta adequada do homem ao Deus que se revela. A obediência da fé  manifesta-se no exemplo de Abraão e de Maria, dois arquétipos da fé.

A natureza da fé não se determina, primeiramente, a partir de uma atitude subjetiva,  mas a partir do seu objeto que só pode ser Deus, revelado em Jesus Cristo e através da  ação do Espírito Santo.

A fé é graça e ato humano, ao mesmo tempo. Se não fosse graça, não poderia  alcançar o próprio Deus. E se não fosse verdadeiro ato humano, não seria verdadeira  resposta do homem.

É assustador saber que posso recusar essa dádiva, ou ser tão superficial em meu  “sim” ,que, raramente, faça uso desse dom, em minha vida diária.

Ao mesmo tempo, é excitante pensar que posso me abrir, mais e mais, a essa graça e  dizer, sempre mais, profundamente: “Eu creio”.

A partir do seu objeto, a fé é, absolutamente, certa, pois está fundamentada na  Palavra de Deus que e a própria Verdade. Enquanto ato humano, porém, é uma busca que  se pode deparar com a escuridão e com a noite.

A fé deve crescer, firmar-se diante de todos os perigos. Por isto, depende de nós, da  Igreja, da Comunidade de fé. O “eu creio” do Credo, é pronunciado, primeiramente, pela  Igreja, nossa mãe, que nos ensina a dizer: “Eu creio”, “nós cremos”. Mas, somente Deus pode fazer uma pessoa crer. Somente ele pode orientar-me e conduzir-me para esse momento de verdade e de paz.

Deus nos deu a graça e a capacidade para crer, pois quer nos convencer de que Ele  nos ama imensamente. De nossa parte, temos de estar prontos e abertos para Ele.

A fé consiste, exatamente, cm compreender, em aceitar que a Palavra de Deus é  verdadeira e que Ele nos ama realmente. E o fato de eu compreender, de eu aceitar, é uma  dádiva divina, é um dom.

Em Jesus Cristo, Deus veio em nosso encontro. Se não fugirmos d’Ele, se de nossa  parte, não colocarmos obstáculos, ele, por certo, nos encontrará e se manifestará a nós.  Estejamos, pois, atentos, para não fugirmos a este encontro com Deus.

A fim de favorecer a correta assimilação do Concílio, os Sumos Pontífices convocam,  com frequência, o Sínodo dos Bispos, instituído pelo Papa Paulo VI, em 1965, propondo,  assim, à Igreja orientações claras, por meio das diversas Exortações Apostólicas pos-Sinodais.

Esta Assembleia geral do Sínodo dos Bispos, que ora se realiza, em Roma e da qual  participa o Arcebispo de Mariana, tem, como tema: “A Nova Evangelização, para a  transmissão da fé cristã”.

Desde o começo de seu Pontificado, o Papa Bento XVI vem se empenhando, de  maneira decisiva, por uma correta compreensão do Concílio. E para isto, o Papa tem  chamado a atenção para a importância do Catecismo da Igreja Católica, verdadeiro fruto  do Concilio Vaticano II e instrumento indispensável que favorece a sua assimilação.

Redigido em colaboração com todo o Episcopado da Igreja Católica, este Catecismo  exprime, verdadeiramente, aquela a que se pode chamar a “sinfonia da fé.” Com efeito, o  conteúdo deste Catecismo, expresso de um modo novo, responde às interrogações de nossa época e se coloca como instrumento eficiente, a serviço da Comunhão Eclesial e do  Ensino da fé.

Nele, de fato, encontra-se a riqueza de doutrina que a Igreja acolheu, guardou e  ofereceu, durante os seus 2000 anos de História.

Sem dúvida alguma, esta XIII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos,  convocada pelo Papa Bento XVI, em plena realização, em Roma, é o principal evento  Eclesial no início deste Ano da Fé, cuja Abertura Oficial estamos realizando, hoje e que  tem por objetivo contribuir para uma conversão renovada ao Senhor e para a redescoberta  da fé, a fim de que todos os membros da Igreja possam ser testemunhas credíveis e alegres  do Senhor Ressuscitado, no mundo de hoje.

Que este Ano da Fé possa contribuir também, para que sejamos capazes de indicar a  porta da fé a tantas pessoas que perderam o sentido da vida, exatamente, porque ainda não  fizeram o seu encontro com Deus, manifestado em Jesus Cristo, o nosso Redentor.

Daí a necessidade de um maior empenho a favor de uma Nova Evangelização, para  se descobrir, de novo, a alegria de crer e reencontrar o entusiasmo de comunicar a fé.

Dom Francisco Barroso Filho

Bispo emérito de Oliveira (MG) 

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