Sábado, 29 de Agosto de 2015
Arquidiocese de Mariana

29/jun/2009
Confiança em Jesus

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*

Em Nazaré Cristo “não podia fazer nenhum milagre” por causa da “incredulidade daquela gente” (Mc 6,5-6). A confiança nele é a chave que abre os tesouros de sua munificência. Esta virtude supõe o amor, dado que não se pode amar se não se confia no ser amado.

Os prodígios que Jesus viesse a realizar na sua terra seriam motivo de mera curiosidade e não conduziriam os corações a uma confiança profunda nele, nas  suas mensagens, exatamente porque não amavam o filho do carpinteiro.

Para que o cristão veja maravilhas em seu derredor é preciso fazer tudo que está a seu alcance para, com este esforço, agradar a Deus, entregando-se, contudo, antes, inteiramente, nas suas poderosas mãos, desconfiando cada um sempre de suas próprias forças. Dois referenciais: “Deus em tudo coopera para o bem daqueles que o amam” (Rom 8, 28), conforme afirmou São Paulo, e “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5), segundo o que asseverou Jesus Cristo.

Eis por que o  Apóstolo que afiançou: “Eu sei em quem eu confiei” (2 Tm 1,12), pôde outrossim dizer: “Eu tudo posso naquele que é a minha fortaleza”  (Fl 4,13). Era  isto que ignoravam os nazarenos que, deste modo, obstaculizaram a ação benfeitora de Cristo. Cumpre, portanto, cultivar o amor divino que gera a total confiança no Ser Supremo. 

Cumpre então suplicar com o salmista: “É em vós, Senhor, que procuro meu refúgio; que minha esperança não seja para sempre confundida” (Sl 70,1). Donde o conselho do Profeta Isaías: “Tende sempre confiança no Senhor, porque o Senhor é o rochedo perene” (Is 26,4). Jeremias proclamou: “Bendito o homem que deposita a confiança no Senhor, e cuja esperança é o Senhor” (Jr 17,7).

Os salmos expressam a confiança que se deve ter em Deus que é “nosso amparo”, “nossa cidadela”, “nosso rochedo”, “nossa guarida”, “nossa esperança”, “nosso apoio”. Quando o cristão tem disto certeza absoluta os prodígios de Jesus se multiplicam em sua vida. Adite-se que no Novo Testamento a palavra que o texto original grego emprega para fé é exatamente o mesmo que usa para a confiança.

Não há senão um vocábulo para as duas realidades que, realmente, não são senão um e mesmo posicionamento perante a força  e a bondade divinas. Os habitantes de Nazaré não tinham fé, nem confiança em Jesus. Crer nele é sempre também uma questão de  esperança firme nele. Trata-se de um engajamento existencial. São duas virtudes que iluminam toda a vida, concretamente, envolvendo todo o ser do cristão.

O seguidor de Jesus não trepida nunca, jamais vacila, hesita, titubeia. Quando Jesus permitiu a Pedro que ele andasse sobre  as ondas, vindo o vento, o Apóstolo começou a perder a confiança e a afundar, tendo recebido logo a reprimenda de Jesus: “Homem de fé diminuta, porque duvidaste”? (Mt 14,31). Faltou-lhe fé e confiança no poder do Mestre.

O  incrédulo muito desagrada a Cristo, tanto que após sua ressurreição ele advertiu os apóstolos: “Por fim apareceu aos Onze, quando estavam sentados à mesa, e censurou-lhes a incredulidade e dureza de coração, por não acreditarem nos que o tinham visto ressuscitado” (Mc 16,14). A total confiança em Jesus cria uma atitude da alma que crê sem limites e fica na mais absoluta serenidade.

Deste modo, crer é sair de si, ampliando os próprios horizontes. Requer-se um impulso que  mobilize, uma segurança que  encoraje. Disto resulta uma paz interior beatífica, uma  coragem destemida para se enfrentar os problemas que surjam, desintegrando-se inteiramente a mesquinhez diante da ternura divina que nunca decepciona.  

É, porém, um caminho no qual se deve avançar continuamente  durante a vida toda. Uma  confiança  inabalável torna o batizado aberto à favorável ação do Redentor. Por que sempre amou e confiou em Deus Maria pôde proclamar: “Realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo” (Lc 1,49). É preciso  imitá-la e não sermos incrédulos como os conterrâneos de Jesus de Nazaré.

* Professor no Seminário de Mariana de 1967 a 2008.

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