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Colunas que sustentam, asas que fazem voar

Pe. José Antonio de Oliveira

      Celebramos nesta semana a festa daqueles que são considerados as duas “colunas” da Igreja de Jesus Cristo: os apóstolos Pedro e Paulo. Colunas que lhe dão sustentação e ligam a Igreja à sua Pedra fundamental, o próprio Cristo.
      Colunas que também garantem o equilíbrio necessário, por serem tão diferentes e, ao mesmo tempo, tão afins. As diferenças entre os dois são marcantes, mas a unidade da fé e do testemunho fala mais alto. Ainda hoje, as divergências incomodam, mas ajudam a crescer e proporcionam uma visão mais completa da Igreja. São complementares.
      Paulo chega a afirmar que enfrentou abertamente a Pedro, “porque ele se tinha tornado digno de censura... Eu disse a Pedro diante de todos: se tu, sendo judeu, vives à maneira dos gentios e não dos judeus, por que forças os gentios a viverem como judeus?” (Gl 2,11.14). Contudo, é bonito ver o respeito que têm um para com o outro, e como colocam a pessoa de Jesus Cristo, o testemunho da fé e do amor acima de tudo. Como procuram dialogar, ouvir opiniões diferentes e tratar as divergências dentro do espírito de oração, tendo como maior preocupação o bem de todos (cf At 10).
      Ao olharmos para esses dois apóstolos, vemos neles como que duas asas que ajudam a Igreja em seu vôo evangelizador. Pedro recebe de Cristo a missão de ser o líder dos apóstolos, o coordenador do grupo, o articulador da missão. É uma referência para garantir a unidade na diversidade. Tem a função de zelar pela fidelidade ao ensinamento de Cristo e pela união dos membros.
      Paulo é chamado para espalhar as sementes do evangelho. Recebe a missão de ir ao encontro de outros povos e países, de outras culturas e línguas. É o grande propagador da fé; formador de comunidades, catequista incansável.
      Unidos pelo martírio do testemunho diário e da própria morte, nos ensinam a importância de mantermos a fidelidade ao evangelho, a unidade da fé e do amor, a articulação entre os membros, sem descuidar jamais da missão de anunciar a Palavra, educar na fé, formar comunidades, espalhar as sementes do Reino.
      Ambos tiveram sua vida marcada pela fraqueza humana e pela força da graça. Capazes de negar, trair, temer, brigar, perseguir, revelam também uma profunda humildade e coragem invejável. O mesmo Pedro que treme diante da pergunta de uma pessoa simples e nega o Cristo, é capaz de enfrentar multidões, encarar prisões e torturas, resistir até a morte. O mesmo Paulo que persegue e mata cristãos, não tem vergonha de mudar de lado e de convicções; atravessa países, corta os mares, discute com os poderosos, não se cala diante das ameaças.
      Celebrar os apóstolos Pedro e Paulo é acreditar numa Igreja que sabe unir a instituição e o carisma, organização e missão, diversidade e unidade. É construir uma Igreja que seja mais graça do que pecado, mais amor que condenação, menos instituição e mais comunhão. Uma Igreja sem medo dos desafios, marcada pela coragem que vem da fé. Celebrar esta festa é poder dizer com Pedro: “Tu sabes tudo, tu sabes que te amo!” (Jo 21,17); e repetir com Paulo: “A graça de Deus dada a mim não foi estéril, não foi em vão” (1Cor 15,10).

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