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O amor revelado

Pe. José Antonio de Oliveira

      “Não basta amar; é preciso que o outro se sinta amado”. Esse pensamento de Dom Bosco traduz bem o espírito do Natal que estamos celebrando. Na verdade, podemos dizer que não se trata apenas da comemoração de um nascimento especial, mas da celebração do Amor revelado e encarnado. Deus, que é Amor, não se contenta em nos amar; quer que conheçamos e experimentemos seu carinho por nós.
      Assim, a celebração do Natal é a revelação do Amor. É bom lembrar que o tempo do Natal começa com o primeiro domingo do Advento e se estende até a festa do Batismo de Jesus. Ao longo destes dias, Deus se manifesta, se dá a conhecer, se revela.
      A palavra revelar é muito rica. Em primeiro lugar, traduz o gesto de “tirar o véu” para deixar transparecer a beleza do que é revelado. Deus, que é mistério, vai tirando o véu que o esconde de nós, e vai nos mergulhando em sua beleza e profundidade. Pela fé, entramos no mistério e dele participamos.
Revelar também está ligado à palavra “velar”. Deus vela por nós e pede que sejamos vigilantes. Que estejamos atentos aos seus sinais. O Amor se comunica e se revela àqueles que velam com Ele. É por isso que a festa da Epifania tem um significado especial; é a festa da revelação de Deus a todos os povos, de todas as culturas.
      De certa forma, toda a criação é manifestação do carinho de Deus com o ser humano. Ele fez tudo de maneira perfeita e colocou em nossas mãos. A sua Palavra, comunicada a nós pelos profetas, é outro sinal do cuidado de Deus com seus filhos. “A vossa palavra, Senhor, é sinal de interesse por nós”, é o que cantamos sempre.
      Mas a carta aos Hebreus nos traz uma revelação muito bonita: “Muitas vezes e de muitos modos falou Deus outrora aos nossos pais, pelos profetas; nestes dias, Ele nos falou por meio do Filho” (Hb 1,1). Jesus é a revelação mais perfeita do amor de Deus. Essa revelação acontece aos poucos, passo a passo. Um passo marcante é a encarnação. Deus experimenta a nossa realidade, vive nossos sonhos e esperanças, nossas dores e angústias, assumindo nossa carne e nossa história. Por isso, a celebração do Natal não se restringe ao nascimento de Jesus em Belém. O mistério da encarnação de Deus vem antes, e é um momento muito especial.
      Além disso, quando Jesus nasceu o povo hebreu pensava que seria o único beneficiado com tal nascimento. Como se Ele tivesse vindo apenas para o povo “escolhido”. A Epifania vem mostrar que Deus vai muito além. É de todos e vem para todos. Tanto que nas Igrejas orientais a Epifania é mais valorizada que o próprio Natal, pois traz a certeza de que Deus acolhe a todos, sem distinção.
Que a alegria de podermos experimentar o amor infinito de Deus nos leve a entrar em sintonia com Jesus Cristo e com seu projeto de vida nova, buscando uma vida de “equilíbrio, justiça e piedade”, tornando-nos cada vez mais “povo de Deus”, correspondendo àquilo que Ele deseja e espera que sejamos: “um povo que lhe pertença e que se dedique a praticar o bem”, como diz a leitura da Missa de Natal (cf. Tt 2,11-14).

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