Departamento Arquidiocesano de Comunicação da Arquidicoese de Mariana


 Histórico
 Organização
 Dom Luciano
 Tribunal Eclesiático
 Seminário
 Museu
 Catequese

 

Regiões
Arquidiocesanas

Saiba mais sobre a região centro!Centro
Saiba mais sobre a região leste!Leste
Saiba mais sobre a região norte! Norte
Saiba mais sobre a região oeste! Oeste
Saiba mais sobre a região sul! Sul

Mande notícias
Clique aqui. . .

Pra não dizer que não falei da crise

Pe. José Antonio de Oliveira

      Nesses tempos de turbulência no cenário político nacional, é impossível ficar alheio à crise, deixar de expressar nosso pensamento. Não sou especialista em política, mas, como cidadão, e a partir daquilo que leio, ouço e reflito, creio que posso apresentar alguns elementos que contribuam para a reflexão.
      Fatos e notícias não faltam. Mas poucos têm acesso à informação crítica, à análise mais profunda, que ajude a fazer da crise um processo de amadurecimento. Sem a pretensão de preencher tal vazio, quero deixar fluir algumas idéias.
      Em primeiro lugar, não podemos ser ingênuos a ponto de acreditar que as elites brasileiras iriam entregar o poder político e econômico a um movimento que surgiu da base; entregar o comando do Brasil a um homem simples do povo. Aqueles que defendem seus próprios interesses, que desejam sugar o máximo do povo, jamais irão abrir mão do poder. É natural, portanto, que as elites façam de tudo para minar qualquer poder popular, desmoralizar toda liderança que venha da base. O reconhecimento nacional e o respeito internacional por um operário que, com todos os seus limites, fala a língua do povo e se expressa com o coração, incomoda os intelectuais.
      Não é por acaso que haja um esforço muito maior dos políticos profissionais e da grande imprensa em denunciar irregularidades de pessoas ligadas ao atual Governo do que dos governos anteriores. Embora haja corrupção comprovada em pessoas ligadas ao PT – e deve haver apuração e punição exemplar, houve casos muito piores em gestões passadas, como o projeto de reeleição, privatizações e tantos escândalos, que não receberam o mesmo tratamento sensacionalista da imprensa e dos políticos que agora se apresentam como porta-vozes da ética.
      Não se pode pensar também que o Brasil seja o que se vê na TV. Não é só novela, violência e corrupção. Nossa Nação é a soma de muita gente honesta, trabalhadora; de muitos que dão o seu suor, pagam impostos, sonham e lutam por um país mais justo e solidário.
      Mesmo por parte do Governo. Embora não se divulgue, temos consciência de que nunca houve tantos recursos e tanto interesse pelo social, tantos projetos voltados para os mais simples e pobres.
      Certamente você já ouviu falar ou até participa de algum projeto, como o “Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional”; “Bolsa Família” (7,5 milhões de famílias); “Compra Direta”; “Telecentros”; “Escola de Fábrica”; “Geração de emprego e renda”; Pronaf (Agricultura familiar: R$9 bilhões) Fundeb, faculdades populares; vários projetos comunitários.
      Não somos advogado de defesa do Governo, e estamos consciente de que Lula frustrou muita gente. Os de direita, que achavam que ele fosse bagunçar o Brasil e desestabilizar a economia, e os de esquerda, que sonhavam uma mudança estrutural rápida e radical, rompimento com bancos internacionais, suspensão do pagamento da dívida externa, reforma agrária de fato, reforma política etc. Sabemos que é preciso avançar muito.
      Mas também aí não se pode ser ingênuo. É impossível implantar um governo socialista numa sociedade toda ela estruturada no capitalismo neoliberal. Num mundo globalizado, nenhum governo consegue agir isolado do contexto internacional. O presidente Lula só teria condições de ousar mudanças mais radicais se pudesse contar com o respaldo de uma população consciente e articulada. E ela não existe. Nosso povo é ainda facilmente manipulável.
      Além da falta de respaldo popular, da estrutura econômica esmagadora (os juros da dívida externa consumiram, em 2004, R$124 bilhões), o governo ainda esbarra no próprio sistema político brasileiro, marcado pelo clientelismo e tantos vícios. Basta ver que, para aprovar seus projetos, mesmo os de interesse coletivo, tem de pagar alto preço na barganha com os partidos no Congresso.
      De tudo o que estamos vivendo ficam ainda algumas lições: não vale a pena buscar o poder a qualquer custo, abrindo mão de princípios e critérios, fazendo alianças que comprometem; o poder e o dinheiro corrompem facilmente as pessoas; o que nos sustenta na vida e na missão é o verdadeiro idealismo e a mística; não é hora de desanimar ou entregar os pontos: a construção do Brasil que queremos não depende dos políticos, mas está em nossas mãos.

<---- Volta a página principal ----->


Volta a página
<- Principal ->

Veja
os artigos
anteriores