A
Páscoa nos faz discípulos
Pe.
José Antonio de Oliveira
“O
Senhor deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer
palavras de conforto à pessoa abatida; ele me desperta
cada manhã e me excita o ouvido, para prestar atenção
como discípulo” (Is 50,4).
Essas palavras servem de inspiração
para o grande momento que estamos vivendo e celebrando. No mundo
inteiro, nestes dias, somos convidados a mergulhar no mistério
pascal; recordar (trazer de novo ao coração) o gesto
extremo de um Deus apaixonado pela humanidade; celebrar a vida
que vence a morte, o perdão que supera o pecado, a graça
que nos envolve; saborear o amor de Deus e fazer a experiência
gostosa de amar.
A frase acima foi proferida
pelo “Servo de Javé”. Ele está consciente de que
o Senhor Deus o desperta cada manhã. Desperta-o para a
vida, para o compromisso da fé e da missão. Prepara
seus ouvidos para ouvir com atenção e se fazer discípulo.
O mistério pascal que
celebramos tem muito a falar. É preciso estar atentos,
abrir bem os ouvidos para acolher o que Deus tem a nos dizer.
São mensagens capazes de converter corações,
de transformar vidas. É necessário se fazer discípulo.
Só depois de se tornar
verdadeiro discípulo, o servo tem condições
de se tornar instrumento da vida e do bem. Terá condições
de levar palavras e gestos de conforto à pessoa abatida;
de ser sinal do carinho de Deus pelos sofredores.
Esse convite a ser discípulo me faz lembrar um texto, muito
bonito por sinal, que ouvi pelo rádio e encontrei na Internet.
Infelizmente, não consegui localizar o autor. Mas fala
justamente da diferença entre ser apenas um seguidor e
se tornar verdadeiro discípulo. Diz assim:
“O seguidor se ganha; o discípulo
se faz. O seguidor gosta do afago; o discípulo gosta do
serviço. O seguidor entrega parte dos seus desejos; o discípulo
entrega sua vida. O seguidor espera que lhe apontem a tarefa;
o discípulo é solicito em tomar a responsabilidade.
O seguidor quase sempre murmura e reclama; o discípulo
se alegra em servir. O seguidor reclama que o visitem; o discípulo
visita. O seguidor vale porque soma; o discípulo vale porque
multiplica. O seguidor sonha com a Igreja ideal; o discípulo
se entrega para construir a Igreja fiel. O seguidor diz: Que bonito!;
o discípulo diz: Eis-me aqui. O seguidor espera por um
avivamento, um novo ardor na Igreja; o discípulo é
parte do avivamento. O seguidor é soldado de defesa; o
discípulo vai à luta. O seguidor é condicionado
pelas circunstâncias; o discípulo as aproveita para
exercitar sua fé. O seguidor é valioso; o discípulo
é indispensável”.
Que a celebração
da Páscoa realize uma verdadeira mudança nos rumos
de nossa fé e nas opções do nosso coração.
Os gestos e atitudes de Jesus Cristo consigam abrir nossos ouvidos
para ouvir melhor, preparem nossa língua para confortar
e promover o bem, nos tornem cada vez mais discípulos daquele
que veio “para que todos tenham vida, e vida em abundância”.
“Pai
dos oprimidos, companheiro dos sofredores, confessamos, na tua
Páscoa, nosso medo diante das injustiças, nossa
covardia diante da opressão, nossa indiferença diante
dos preconceitos. Acolhe nosso coração contrito,
dá-nos a coragem dos anunciadores do teu Reino. Amém!”
Inês
de França Bento
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