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Encontro Nacional de Pesbíteros

Pe. José Antonio de Oliveira

      O 11º Encontro Nacional de Presbíteros nos ajuda a repensar nossa postura enquanto Igreja. Não só dos pastores, mas de todas as pessoas que exercem alguma liderança nas comunidades eclesiais. Trago aqui algumas pistas de reflexão.
      O Pe. Virgílio Leite Uchôa, que acompanhou a CNBB desde 1968, apresentou os desafios da realidade brasileira nestes últimos 40 anos. Lembrou a importância da Igreja para a construção da utopia de uma sociedade justa, mais fraterna e igualitária. De que maneira podemos contribuir na construção de um projeto nacional, livre, para todos e com a participação dos excluídos?
      O Pe. Gabriele Cipriani, atualmente na coordenação do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs, ex-assessor da CNBB no setor do Ecumenismo, trouxe o tema da missionariedade e do profetismo que, segundo ele, “corre o risco de se perder nas banalidades espiritualistas e milagreiras ou no protagonismo efêmero de showmen religiosos”. Deixou uma pergunta: O Concílio Vaticano II é mesmo nossa referência? Que espaço ocupa o Vaticano II na prática eclesial hoje? Que atitudes assumimos a partir da eclesiologia do Concílio? Recordou a tônica dada ao devocionismo, em detrimento da caridade evangélica e do profetismo. Falou das três devoções que, mesmo sendo importantes, não podem ofuscar o compromisso evangélico da comunhão e do serviço: a manjedoura, o sacrário e o Vaticano. Como passar para a outra margem?
      Deixou claro que não há outra forma de viver e fazer a comunhão a não ser a partir do coração, a partir de dentro, por meio da graça. Ela é dom assumido e oferecido. Não depende de lei ou norma, de qualquer imposição. Não é só obediência. “Fora do amor não há salvação”.
      Falou ainda da importância da Palavra de Deus. Infelizmente, diz ele, em nossas Igrejas, muitas vezes “há mais folhetos de Santo Expedito do que da Palavra de Deus”.
      Dom Luciano aprofundou o tema do profetismo. O profeta é “benfeitor do povo, servo de Deus”. Precisamos nos habituar a abrir as janelas e olhar para fora, olhar o mundo. Aí está muita gente precisando da gente: indígenas, afrodescendentes, migrantes, jovens, sofredores, os desencantados da vida. As áreas de nossa atuação: em relação ao nosso modo de pensar, lembramos a sociedade plural, marcada pela mobilidade e o desenraizamento, a falta de inserção eclesial, a necessidade da vida em comunidade; quanto ao nosso modo de viver, percebemos a desigualdade social, com as conseqüentes pobreza e exclusão; olhando para o futuro, vemos a vida humana em sua sacralidade e dignidade, com o risco que corre face aos avanços da ciência e tecnologia; no coração de todos está a preocupação com a juventude, muitas vezes sem horizontes, perdida entre as opções de prazer e a falta de opções para o futuro. Precisa de amparo. Jesus, “profeta poderoso em obras e palavras”, é nosso grande modelo.
      Dom Luiz Flávio Cappio orientou o retiro. Lembrou que não basta seguir Jesus; é preciso fazer com que outros o sigam. O grande protagonista da missão é o Espírito Santo. Ele é para a Igreja o que o motor é para o carro; o que a chuva é para a terra; o que o sangue é para o corpo; o que o ar é para a vida. “A salvação é gratuita, mas o profetismo custa tudo o que temos”, lembrava ele citando Sto. Inácio de Antioquia.
      Citou ainda o grande profeta dos nossos tempos, dom Hélder Câmara: “Jamais deixem a profecia morrer”. E fez uma dura crítica aos falsos pastores que se deixam levar por um “clericalismo insano, vulgar e ridículo. Malditos os carreiristas! Malditos os que usam o seu presbitério para a busca de privilégios. Felizes os que não fazem da hierarquia um trampolim para a própria ostentação, mas instrumento de serviço, de ministério. Felizes os que se colocam verdadeiramente a serviço, em especial dos pequenos e pobres da sociedade”.

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