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Fórum Social: troca de saberes e sonhos

Pe. José Antonio de Oliveira

       O III Fórum Social pela Vida, da Arquidiocese de Mariana, será realizado no final de julho. Está ainda muito longe, podem pensar. Mas não. Como outros eventos, este também é um processo de construção. O Encontro em si é como a plataforma de uma estação. E, como lembra a música Encontros e despedidas, do Milton Nascimento e Fernando Brant, “chegar e partir são só dois lados da mesma viagem... O trem que chega é o mesmo trem de partida”. A plataforma do Fórum é apenas a chegada de uma longa viagem, e partida rumo ao futuro que sonhamos.
       Podemos dizer que a viagem do Terceiro Fórum vem de longe, com paradas marcantes nos outros dois já realizados, e prosseguirá depois o seu caminho nas comunidades, organizações, movimentos sociais, pastorais e pessoas que vão se envolvendo no processo. O caminho é longo...
       É por essa razão que as equipes arquidiocesana e regional já estão se encontrando, para colocar na mesa as idéias já existentes, lançar novas luzes e propostas, preparar e espalhar sementes. Assim, a partir do caminho já feito, é que surgiu a proposta de colocar como foco do III Fórum a Vida e a Dignidade, como direito e missão de todos e todas. Um dos grandes objetivos de todo o processo do Fórum é sensibilizar pessoas e grupos para o cuidado com a vida, em todas as suas manifestações. “Há que se cuidar do broto, pra que a vida nos dê flor... e fruto”.
       Aprovou-se ainda que aparecerá em todos os grupos temáticos a expressão “política”: Política agrária, política de geração de trabalho e renda, políticas de saúde, política de inclusão etc. É necessário que cresça a consciência de que os direitos fundamentais do ser humano e das comunidades dependem, não de iniciativas isoladas ou de ações emergenciais, mas de uma verdadeira Política. É todo o sistema de organização e governo da sociedade que deve estar voltado para esses direitos, estruturado em função deles. É o conjunto das opções, atitudes, prioridades voltadas para a pessoa, para a vida em todo o seu modo de se expressar, para a dignidade de todos.
       Recordando as sábias palavras de Paulo VI, na Evangelii Nuntiandi, podemos dizer que é preciso, e com urgência, transformar “os critérios de julgar, os valores que contam, os centros de interesse, as linhas de pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida da humanidade” (EN, nn. 19-20). Essa é a verdadeira Política, aquela que deve ser conhecida e praticada, aquela que pode transformar as estruturas.
       É verdade que alguns cristãos ainda têm uma certa antipatia pela política. Não se pode negar que têm um pouco de razão. Mas ignorar, ficar indiferente, se omitir, vai ajudar em quê? Parafraseando o pensador italiano Norberto Bobbio, dom Pedro Casaldáliga dizia que “a política não é tudo, mas tudo é político”.
       Como parte do processo de construção do Fórum, serão divulgadas em breve as várias oficinas com suas ementas. A partir de uma síntese do que se pretende trabalhar, refletir e aprofundar, será possível se fazer uma opção mais consciente, bem como se preparar melhor para o Encontro. Se o Fórum é uma partilha de saberes e sonhos, quanto mais elementos levarmos, quanto maior a bagagem, mais rica será essa partilha. Mais sólida será a construção. Mais combustível encontraremos para prosseguir o caminho.
       O desejo da equipe de organização é que, ao tomar conhecimento dos grupos temáticos e das várias oficinas, as lideranças e todas as pessoas que sonham e lutam por um novo mundo possível se sintam atraídas a participar do Fórum, comecem logo a pesquisar, façam sua opção por algum tema, procurem aprofundá-lo, conversar sobre essas questões. Assim, o Encontro de julho será o momento de colocar na mesa comum os ingredientes para o grande banquete da utopia do Reino, o mundo organizado a partir da solidariedade e da justiça.
       Mas não é só isso. Queremos também preparar um aperitivo para o Fórum. Fazer um ensaio para essa festa da cidadania. Assim, está planejada a realização de Assembléias populares em cada Região pastoral da Arquidiocese. A sugestão é de que seja no dia 21 de abril, por ser uma data significativa. Será a oportunidade para que todos os segmentos da sociedade organizada se encontrem para levantar os desafios e realizações de cada área dos municípios e regiões, como saúde, moradia, educação, transporte, inclusão, participação popular, conselhos etc. Todos poderão colocar em comum o que nos inquieta e o que nos alegra. O que entristece e o que alimenta a esperança.
       Como se pode perceber, o trem do Fórum já está a caminho. Mas segue lento, respeitando o ritmo do povo, para que ninguém fique para trás. “É melhor caminhar um passo com mil pessoas, do que caminhar mil passos com uma só”, dizia Carlos Mesters. Você pode participar de Fórum de muitas maneiras, desde a reflexão, o estudo, o debate, até a presença física nas Assembléias Populares ou no Encontro de julho. Aceite o convite. Venha participar dessa viagem, dessa construção! A vida merece. E todos nós merecemos uma vida melhor.

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