Educadores
na fé
Padre
Geraldo Martins Dias
O
Brasil ainda é o país que possui a maior população
católica do mundo. Não obstante o crescimento, comprovado
pelo censo de 2000, dos evangélicos e, para espanto de
todos, também dos que se dizem sem religião, os
católicos continuam a encher os templos e a dar espetáculos
de fé nas grandes romarias e festas de devoção
espalhadas pelo imenso território brasileiro.
No seu quadro de evangelizadores,
a Igreja congrega uma multidão de voluntários, em
sua esmagadora maioria, mulheres, que cumprem com denodo e desapego
total o árduo trabalho de evangelização.
Fosse a evangelização monopólio dos padres
e bispos, a Igreja já teria sucumbido e seu fundador, Jesus
Cristo, não estaria presente na vida de milhões
pessoas no mundo inteiro.
Entre esses que dedicam sua
vida a anunciar o evangelho de Jesus Cristo estão os catequistas
cujo dia a Igreja comemora no próximo domingo. Sem substituir
a missão precípua dos pais de serem os primeiros
a ensinar os passos da fé aos filhos, os catequistas é
que se responsabilizam pela nobre tarefa de apresentar Jesus Cristo
às crianças, aos adolescentes e jovens. De seu trabalho
depende a propagação da fé e a adesão
a Jesus Cristo.
É forçoso reconhecer,
no entanto, que ao longo da história a catequese mais doutrinou
que evangelizou. Por isso, ainda vemos atitudes de católicos
que demonstram total ignorância a respeito da própria
fé. Nem mesmo os cursos que a Igreja criou para corrigir
as deficiências da catequese têm dado conta de fazer
os católicos amadurecerem na fé.
Assim, é comum vermos
muitos buscarem os sacramentos sem uma consciência de seu
significado para sua vida pessoal e para a própria Igreja.
Basta olhar, por exemplo, como a Igreja, em muitos casos, se tornou
palco de exibição e de ostentação
dos que fazem das celebrações ato puramente social.
Isso ocorre nas famosas missas de formatura e nos casamentos,
salvaguardadas as exceções que vão se rareando
a cada dia. A instrumentalização da missa está
por todo canto. Até parece que basta ir à missa
que a salvação está ganha, mesmo com uma
breve saída durante a homilia ou em qualquer momento do
ato religioso para atender ao celular que vibra no bolso ou na
bolsa do devoto que é todo atenção para o
ato religioso.
Igualmente, o apego à
figura do padre revela que nossa catequese não levou os
cristãos à superação de uma Igreja
clerical e centralizada. Não se reconhece ao leigo sua
vocação, adquirida pelo batismo, de participação
no sacerdócio de Cristo pelo sacerdócio comum. Por
tal vocação, a ele cabem determinados ministérios
que são vitais para a edificação do Reino
inaugurado por Jesus Cristo.
A maior deficiência,
no entanto, que percebemos na prática cristã é
o divórcio entre fé e vida, fruto de uma catequese
sacramentalista que perdurou séculos na Igreja. O cenário
político que vivemos com a atual crise no governo nos permite
indagar onde está a catequese dos que protagonizam este
momento deprimente, considerando que os envolvidos, em sua maioria,
tiveram contatos com os princípios da fé e do evangelho.
Igualmente, a pergunta vai na direção dos que, professando
uma fé inabalável em Jesus Cristo e uma fidelidade
à Igreja, se omitem e não se apresentam para a missão
política que, exercida com ética e responsabilidade,
é capaz de construir uma sociedade nova.
Os catequistas têm um
longo caminho a percorrer. Como educadores da fé, cabe-lhes,
mais pelo testemunho que pelas palavras, anunciar Jesus Cristo
que opta pelos pobres e oferece, gratuitamente, a libertação
a quem é oprimido. E, nesse sentido, todo cristão
consciente pode e deve ser, onde quer que esteja, um catequista
a fim de levar todos a Cristo.
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