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Referendo

Padre Geraldo Martins Dias

      Começa a divulgação do Referendo sobre o desarmamento que o Governo realiza dia 23 de outubro. A população é convocada a dar sua opinião se é a favor ou contra a venda de armas de fogo e de munição no Brasil. Esse é o primeiro Referendo no nosso país e o primeiro no mundo sobre essa questão. Portanto, uma data histórica.
      Apesar das atenções estarem muito voltadas para o resultado das CPIs que tratam da corrupção no Governo, intensifica-se, por parte de ONGs e de movimentos sociais, o trabalho de conscientização da população acerca da importância de participar do Referendo e votar “Sim” pelo desarmamento.
      A favor dos que apoiamos o desarmamento está, entre outros fatores, a recente pesquisa divulgada pelo Governo que aponta uma queda de 8,2% na morte por causa de arma de fogo. Em treze anos, é a primeira vez que, no Brasil, ocorre diminuição de homicídios por arma de fogo. Além disso, a adesão livre dos que, desde julho do ano passado, entregam suas armas, deixa otimistas os que defendem que arma não é sinônimo de segurança. Em pouco mais de um ano de campanha pelo desarmamento, foram recolhidas 460 mil armas. A previsão inicial era de 80 mil.
      Pesquisa recente feita pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostra que mais de 70% dos brasileiros votarão “Sim” no Referendo. Um prova inconteste de que cresce a consciência da busca da paz pelos caminhos da não violência.
      Outra força a favor do “Sim” vem das Igrejas. A Católica, através de seus bispos reunidos em agosto, publicou uma nota em que declara publicamente sua posição a favor da proibição da venda de armas e de munição no Brasil. Mais do que isso, convoca seus fiéis a votarem “Sim” no dia do Referendo. E justifica sua posição citando, entre outras coisas, a atitude de Jesus que manda Pedro guardar a espada na bainha quando esse quis defender Jesus usando de violência armada. Jesus não é da violência.
      O importante, nisso tudo, é o debate que a ocasião oferece para se discutir uma das realidades mais gritantes no país: a violência. Por trás do “Sim” ou do “Não” que se vai depositar nas urnas em outubro deve estar a consciência de seu significado. Aqui, não cabe um voto por indicação. É preciso ter clareza das consequências desse ato de cidadania. Aos que somos a favor do “Sim” no Referendo cabe a responsabilidade de fornecer aos cidadãos as razões pelas quais o desarmamento é o melhor caminho para o país. Para nós cristãos, a motivação da fé está em primeiro lugar. É claro que existem outras que, somadas a essa, se fortalecem e não deixam dúvidas de que se queremos paz e segurança, um dos passos é desarmar a população. Para tanto, é preciso também desarmar o coração. E, então, estaremos prontos para amar. No amor está nossa vitória contra a violência.

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