Departamento Arquidiocesano de Comunicação da Arquidicoese de Mariana


 Histórico
 Organização
 Dom Luciano
 Tribunal Eclesiático
 Seminário
 Museu
 Catequese

 

Regiões
Arquidiocesanas

Saiba mais sobre a região centro!Centro
Saiba mais sobre a região leste!Leste
Saiba mais sobre a região norte! Norte
Saiba mais sobre a região oeste! Oeste
Saiba mais sobre a região sul! Sul

Mande notícias
Clique aqui. . .


A hora da decisão

Padre Geraldo Martins Dias

      Os debates acerca do Referendo sobre a proibição ou não do comércio de armas de fogo e de munição no Brasil revelam como é difícil o exercício da democracia. Não poucos, com muita facilidade, distorcem tudo e levam as discussões para campos impensados. São uns eternos insatisfeitos que querem sempre o contrário do que se lhes oferece.
      Os que assim pensam, insistem em dizer impropérios como, por exemplo, que o Referendo não é adequado no momento e nem necessário. Alegam, basicamente, duas razões para justificar sua posição. Primeiro, que o Governo está fazendo isso porque não teve autoridade para definir a questão. Se o Governo tivesse decidido pela proibição, como prevê o artigo 35 do Estatuto do Desarmamento, seria tido como autoritário e, então, o Referendo seria reivindicado com força. Como quis fazer valer um instrumento democrático, foi frouxo.
      A segunda razão condena a soma extraordinária de dinheiro que se vai gastar com esse ato de cidadania. Os contrários ao momento do Referendo defendem que há urgências sociais maiores no país, como o combate à fome, à pobreza. Não há como discordar disso. Contudo, acabar com a violência também é uma urgência. E é neste contexto que se insere a votação do próximo domingo.
      Igualmente, a argumentação dos que defendem o Não, isto é, os que são a favor da comercialização de armas, aponta para caminhos, no mínimo, curiosos. Dizer, por exemplo, como afirmou o professor Felipe Aquino, católico fervoroso da Canção Nova, que “todos os ditadores, como Hitler, Stalin, Mussolini, Mao Tsé Tung, Fidel Castro, desarmaram o povo para poder dominá-lo e implantar uma ditadura cruel”, numa insinuação clara de que o Governo propõe o desarmamento para dominar o povo, é pura insensatez. A pessoa tem até o direito de ser reacionária, mas não panfletária. Mas ele não o único que pensa assim, infelizmente.
      Uma segunda razão apontada pelos eleitores do Não ataca, de novo, o Governo. Dizem que ao desarmar a população, o Governo a deixará vulnerável porque não vai desarmar o bandido. Lembram, com razão, que as estruturas governamentais não oferecem segurança ao povo, que o investimento nesta área é pífio e que o país precisa é de educação, saúde, emprego. Concordamos com a segunda parte da argumentação. Mas, uma coisa não anula a outra e ambas podem caminhar concomitantemente. Ou seja, ao mesmo tempo em que, numa perspectiva de construir a cultura da paz, vamos desarmando a população, devemos empreender outras ações que obriguem o Governo a fazer aquilo que é seu dever. A solução para tantos problemas passa pela corresponsabilidade de todos os cidadãos. Não se trata aqui de advogar em favor do Governo, mas do Referendo como ato de cidadania e reforço da democracia.
      Outra argumentação dos que são a favor do comércio de armas insiste na legítima defesa e na segurança pessoal. A esse respeito, Dom Demétrio Valentim diz: “A segurança é, em primeiro lugar, um direito coletivo. Claro que é também um direito singular. Mas o direito pessoal precisa encontrar respaldo, garantia e racionalidade no direito coletivo. A proibição do comércio de armas se insere dentro das providências para fortalecer o direito coletivo à segurança”.
      Finalmente, a lamentar fica o fato de a campanha ter tomado uma direção mais político-partidária em que uns atacam e outros defendem as ações do Governo. A campanha deveria ser debate sobre a questão central que é busca de caminhos para defender a vida e construir a paz. O cenário político, chamando a atenção de todos para as CPIs do vergonhoso Mensalão e quejandos, retardou o início da discussão sobre o Referendo. Com isso, perdemos uma ótima oportunidade de aprofundar as razões do Sim e do Não. A própria mídia, cujo papel é também chamar a atenção para as questões fundamentais de cidadania, preocupada mais com os furos das CPIs, demorou-se a colocar o tema em pauta.
      O dia da escolha está à nossa porta. A liberdade de consciência é que vai ditar a cada um o próprio voto. O fato de a CNBB e outras igrejas cristãs terem declarado abertamente seu voto, engajando-se, inclusive, na campanha do Sim, não obriga seus fiéis a votarem contra a proibição do comércio de armas. Ninguém pode trair a própria consciência. Da mesmo forma, também, em consciência, ninguém pode votar contra a vida.
      Frente a todas as ponderações para o Sim e para o Não, para nós cristãos, valerá sempre e em primeiro lugar a vida e ação de Jesus Cristo. Se dele somos verdadeiramente discípulos, suas palavras e testemunho é que haverão de nos inspirar no próximo domingo. Aos que estão indecisos ou com medo de votar 1 (Não) ou 2 (Sim) por causa das conseqüências que daí poderão advir, sirvam de consolo e encorajamento as palavras de Jesus: “Eu estarei com vocês todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28,20).

<---- Volta a página principal ----->


Volta a página
<- Principal ->

Veja
os artigos
anteriores