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Nem tudo está perdido

Padre Geraldo Martins Dias

      No encontro das CEBs realizado semana passada em Ipatinga, chamou a atenção a irreverência dos jovens da Pastoral da Juventude que resolveram criar o Acampamento Igreja Jovem. Foram 250 jovens, reunindo-se debaixo de uma lona de circo e dormindo em barracas, durante cinco dias. Cada um pagou R$ 80 para participar do Acampamento. Na programação, palestras, círculos de debates, dinâmicas, diversão. Na cabeça de todos o sonho e o desejo de uma juventude atuante na vida da Igreja e da sociedade.
      Em 1979, em Puebla, no México, a Igreja da América Latina fez duas grandes opções: pelos pobres e pelos jovens. No entanto, nem todos abraçaram a causa. Ainda há muito pobre morrendo à mingua e muito jovem sem voz e sem vez na Igreja e na sociedade.
      A Pastoral da Juventude, com uma proposta e uma metodologia novas, não consegue arrebanhar todos os jovens. Nem entendo que tenha essa pretensão. Na verdade, outros movimentos, sobretudo aqueles que são ligados a uma espiritualidade de cunho pentecostal ou neo-pentecostal, como, por exemplo, a Renovação Carismática, têm conseguido reunir número bem maior de jovens que a Pastoral da Juventude. Ainda assim, são muitos os jovens que não se sentem atraídos pela Igreja. Não podemos afirmar que não se sintam cristãos. Mas, sua identificação com a Igreja é pequena ou inexistente.
      Quando vemos, portanto, jovens como os do Acampamento montado no Intereclesial das CEBs, a esperança nos faz crer que nem tudo está perdido. Ali se respirava uma fé comprometida, encarnada, transformadora. Eram jovens falando para jovens numa demonstração de que não existe essa de que jovem não sabe o que quer, que jovem é instável. O papo não caminhava na direção do moralismo ou de uma fé alienante e alienada. A maturidade esteve presente na forma como organizaram seu encontro, nos debates que proporcionaram, na meta que se propuseram, no compromisso que assumiram.
      Outra idéia que, cada vez mais, ganha força nos jovens da PJ é a busca da unidade considerando os vários e diferentes movimentos que congregam a juventude. E o caminho é esse mesmo. Sem perder sua identidade e respeitando a especificidade de cada movimento, a PJ pode contribuir muito para a construção de uma juventude forte e atuante na Igreja e no mundo. O desafio é vencer as barreiras do preconceito e quebrar os muros dos estigmas. E isso não é fácil.
      Nessa direção caminha também o Seminário da Juventude que a PJ de Mariana promove neste final de semana em Piranga. A expectativa de 300 jovens traduz a força desta pastoral e o quanto ainda há jovens dispostos a discutir sua militância cristã num mundo que, dominado pelo desejo de consumir e pelo edonismo inconsequente, faz do jovem seu alvo preferido. Como se vê, nem tudo está perdido. Portanto, não há razão para não crer nos jovens.

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