Comunicação
e responsabilidade social
Padre
Geraldo Martins Dias
Os avanços tecnológicos
revelam, ao mesmo tempo em que revelam o grau da inteligência
humana, constituem-se em desafios à mesma humanidade à
medida que trazem consigo questões éticas e morais
quanto ao seu uso e a finalidade a que se destinam.A dignidade
humana não pode ser subjugada às novas tecnologias
que se aperfeiçoam a cada dia nos mais variados campos.
Sem negar a importância
e a necessidade destas novas tecnologias, a sociedade organizada
está constantemente discutindo suas implicações
na vida humana tendo como referencial a grande massa de excluídos
produzida pelo sistema globalizado do capitalismo que, ávido
de lucro, espreita o aperfeiçoamento das tecnologias para
delas se alimentar. Assim, não são raros os encontros,
seminários e congressos abrangendo os mais variados temas
na perspectiva da ética e da busca de solução
para erradicar tanto a exclusão social quanto suas causas.
É nessa direção
que caminhou o 4º Mutirão Brasileiro de Comunicação
que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB),
juntamente com a União Cristã Brasileira de Comunicação
(UCBC) e a Rede Católica de Rádio (RCR), realizou
em Gurapari (ES) de 10 a 15 de julho. Foram mais de 500 participantes
de todo o Brasil discutindo a responsabilidade social da comunicação
nas inúmeras formas em que se dá.
Não faltaram questionamentos
sobre a prática comunicacional da própria Igreja.
Ainda são muitos os que vêm como tímidas as
iniciativas da Igreja Católica em relação
às novas tecnologias de comunicação. No entanto,
o foco da discussão era outro. A proposta era levar os
comunicadores e profissionais da comunicação a uma
constante interpelação sobre o compromisso social
da comunicação que se dá não só
através dos meios de massa, mas também em outros
ambientes como nas empresas, no estado, nas universidades e na
própria Igreja.
Ao lado de exemplos modelares
sobre o comprometimento de pessoas e organizações
na luta contra a exclusão social, ficou claro que a responsabilidade
social da comunicação passa pelo compromisso de
todos com a ética e a verdade. Esses são os pilares
sobre os quais há de se construir uma sociedade nova, sem
excluídos nem marginalizados. A força dos meios
de comunicação social deve ser canalizada exatamente
para extirpar da sociedade tudo o que contribui para diminuir
a dignidade humana e obstaculizar os valores éticos que
devem marcar a vida dos cidadãos e cidadãs brasileiros.
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