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Em favor dos direito humanos

Padre Geraldo Martins Dias

      As desigualdades que persistem no país, excluindo milhões de pessoas de suas necessidades básicas, são uma denúncia do quanto os direitos humanos são violados em nossa sociedade. Um olhar ainda que breve sobre a realidade brasileira faz perceber com clareza o quanto esses direitos são ignorados. A vida, ameaçada pelos milhões de abortos que se praticam no país, a falta de moradia que joga tantos e tantas nas ruas, a violência que vitima inúmeros inocentes, o desemprego que rouba a dignidade dos trabalhadores, a discriminação, quase sempre irmã do preconceito, são alguns exemplos de violação dos direitos humanos.
      O desrespeito permanente a esses direitos tem levado a sociedade a se organizar cada vez mais para defendê-los. Leis não faltam. A carência maior é de organização e mobilização das comunidades em torno das causas fundamentais à dignidade humana, à cidadania. Apesar disso, tem crescido o número de grupos que se organizam para lutar pelos direitos, sobretudo, de quem a sociedade classifica como escória, como por exemplo, os presidiários. Nessa hora, os militantes dos direitos humanos são repudiados pelos ‘cidadãos de bens’ que não aceitam a defesa dos que eles já julgaram irrecuperáveis.
      Vemos com esperança e alegria o nascimento da Comissão de Direitos Humanos da Arquidiocese de Mariana. A constante violação da dignidade humana há muito reclamava da Arquidiocese essa iniciativa. Não é necessário muito esforço para perceber que “a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”, direitos assegurados pela Constituição Federal em seu artigo 5º não são estendido a todos, exceto aqui, na lei. Por isso, tem razão Gilberto Dimenstain quando afirma que somos “Cidadãos de papel”.
      A luta pelos direitos humanos, no entanto, não é sem sofrimento. Quem se apresenta como militante dessa área é visto, por muitos, como defensor de bandidos ou algo semelhante. Como pode alguém ser indiferente em relação à situação deprimente dos presídios brasileiros, ao trabalho infantil, à exploração sexual de crianças e adolescentes? Infelizmente, a mídia ajudou muito a disseminar a idéia de que quem fala ou defende os direitos humanos está do lado de bandidos e marginais.
      No segundo encontro de Direitos Humanos que a Arquidiocese de Mariana promove amanhã, em Mariana, a apresentação de casos concretos que reclamam ação imediata na defesa dos direitos fundamentais da pessoa humana será uma prova contundente do quanto uma Comissão de Direitos Humanos atuante e destemida é necessária nos municípios da Arquidiocese. Aos que se apresentarem para esse profético serviço não faltará a graça de Deus que sempre se colocou ao lado dos mais fracos e indefesos. Anima a luta a palavra do Cristo: “O que fizerem a menor dos meus irmãos, é a mim que fizeram” (Mt 25,40)

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