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O sonho da juventude

Pe. Geraldo Martins

     Há muito, a juventude tem se constituído em preocupação para a Igreja. Em 1979, reunidos em Puebla, no México, os bispos latinoamericanos fizeram uma opção pelos jovens porque eram a maioria da população e os que mais sofriam os impactos do sistema político e econômico presente nos seus países. Passados quase 30 anos, a população jovem continua maioria na América Latina, aumentou a exclusão social e os riscos de uma juventude submissa ao sistema é cada vez maior. Por isso, contingente juvenil continua uma prioridade para a Igreja.
     Com a Ação Católica, os jovens tiveram uma destacada ação na Igreja por meio dos famosos grupos JAC, JEC, JIC, JOC e JUC. Nesses grupos, reunia-se a juventude agrária, estudantil, independente, operária e universitária. A militância política inspirada na fé era sua marca distintiva. Daí muitos pularam para as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), engajando-se, inclusive, na política partidária.
     Passada a fase da Ação Católica, vieram com força os movimentos juvenis cuja características se firmam numa espiritualidade mais intimista e subjetiva. O que se busca é a conversão do jovem por meio do testemunho e de uma vida de oração numa relação mais vertical com Deus. Destaque, nessa fase, para os movimentos de Emaús, Shalom, TLC, dentre outros.
     Numa espécie de resgate dos grupos da Ação Católica, usando, inclusive, sua metodologia do ver, julgar e agir, surge a Pastoral da Juventude (PJ). Com a opção de muitos pequenos grupos, o objetivo da PJ é formar um jovem consciente de sua fé a partir de seu engajamento e de sua luta na Igreja e no mundo. Sua espiritualidade aponta para uma oração e uma celebração encarnada a partir da realidade que se vive. A inserção social quer lembrar ao jovem seu compromisso de ser agente transformador da sociedade e vem ao encontro de sua capacidade de indignação perante as injustiças que marcam nossas sociedades.
     No dia 30 de outubro, a PJ do Brasil comemorou o Dia Nacional da Juventude (DNJ). Criado em 1985, o DNJ é uma grande celebração em que se misturam momentos de oração, de reivindicações, de denúncias e de alegria e diversão. Afinal, ninguém é de ferro! Muito menos o jovem! E não dá para ser cem por cento racionalidade!
     O tema desse ano convidava os jovens à luta: Juventude, vamos lutar. Chegou a hora de nosso sonho se realizar. Tendo como base a caminhada dos últimos cinco anos da PJ, o sonho da juventude aponta para o desejo de políticas públicas que atenda à grande massa de jovens alijados do processo conduzido pelo sistema político-social sustentado pela globalização. Assim, seu sonho significa o acesso ao trabalho, a universidade para todos, um não categórico à violência, a ética na política e o fim definitivo da corrupção e da impunidade, a derrota da exclusão social.
     Igualmente o sonho da juventude é uma Igreja aberta onde os adultos não se escandalizem com seu jeito irreverente de se vestir e de se comunicar; uma Igreja que eduque para a liberdade e para a responsabilidade, livre dos medos que a tornam moralista e moralizante.
     O sonho dos jovens são muitos. Para realizá-los é necessário lutar e muito. Mas essa luta não pode ser só deles. Deve ser de todos. Se todos sonharmos os sonhos dos jovens, eles se tornarão realidade e, então, teremos uma sociedade renovada.

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