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Uma cidade para todos

Padre Geraldo Martins Dias

      O inchaço das cidades brasileiras provocado pelo êxodo rural cujas causas são muitas, entre elas a industrialização, constitui, hoje, um grande desafio às administrações governamentais. Problemas como violência, prostituição, desemprego, pobreza e miséria estão na base do crescimento desordenado de todas as cidades, sobretudo, as metrópoles e as de médio porte. A favelização especialmente dos grandes centros denuncia a falta de planejamento para uma urbanização com qualidade de vida.
      A iniciativa do Ministério das Cidades de discutir com os cidadãos os problemas que afligem os centros urbanos revela que a participação popular é fundamental na busca de soluções para as questões de cidadania. O difícil será vencer a resistência dos que já não crêem mais em participação popular devido à pouca atenção que os movimentos sociais têm recebido do Governo.
      A 2ª Conferência Nacional das Cidades proposta pelo Ministério será uma ótima oportunidade para medir a temperatura das organizações populares. Precedendo a Nacional, as conferências estaduais e municipais têm papel preponderante na construção de Uma cidade para todos.No entanto, é preciso estar vigilante para que os executivos municipais não façam conferências para inglês ver, com o intuito apenas de assegurar possíveis verbas a quem realizar o evento.
      Em Barbacena, pouco se ouviu falar da primeira conferência. A segunda, marcada para 30 de julho, precisa ser diferente. A Comissão Preparatória que já está se reunindo tem a responsabilidade de tornar bastante público o encontro, bem como seus objetivos e temas a serem discutidos. Ao mesmo tempo, deve garantir a participação do maior número possível de cidadãos que, organizados, podem contribuir muito para a busca de solução para os problemas que afetam os barbacenenses.
      Com o objetivo de construir políticas públicas de desenvolvimento urbano, a conferência não poderá se omitir nas questões que mais afetam a vida da população qual seja a qualidade de vida que falta, sobretudo, a quem está nas periferias e aos que são excluídos das necessidades básicas para uma vida digna. A cidade para todos que almejamos significa moradia digna, saneamento básico, emprego, água, luz, transporte acessível, escola de qualidade e de graça, saúde e tudo aquilo que diz respeito à cidadania. E isso não é compromisso só do Governo, mas de todos.

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