Padre Geraldo Martins
Dias
Está
tudo pronto para a 46ª Assembléia
Geral da CNBB que começa no dia 2 de abril
e se estende até o dia 11. O contexto em
que se realiza é marcado pela expectativa
das novas Diretrizes da Ação Evangelizadora
para a Igreja do Brasil que terão como
fontes inspiradoras, além das Diretrizes
anteriores, o Documento de Aparecida e a atual
conjuntura eclesial e social.
O
cenário político-social, sob o qual
se dá a Assembléia dos Bispos, apresenta
questões que tocam de perto a Igreja. Comecemos
pela votação, pelo Supremo Tribunal
Federal, sobre o uso de células-tronco
embrionárias, aguardada para abril por
causa do pedido de vistas do ministro Menezes
de Direito, no dia 5 de março. Esse tema
tem sido pauta permanente da imprensa, mas de
maneira claramente tendenciosa ainda que firmem
ouvir todos os lados.
Outra
questão que marca o cenário político
de nosso país é o clima eleitoral
por causa das eleições municipais
do fim de ano. Cartão Corporativo, Medidas
Provisórias, PAC disso e daquilo, epidemia
da dengue no Rio, tudo isso são ingredientes
dos debates políticos cada vez mais presentes
na mídia. Acrescentem-se, ainda, para delírio
de uns e constrangimento de outros, as pesquisas
do Ibope apontando altos índices de aprovação
do Governo Lula. Há também as do
IBGE que, se por um lado mostram fraquezas como
a insuficiente redução do trabalho
infantil, por outro lado indicam que o Bolsa Família
vai bem, obrigado, com a ascensão dos mais
pobres ao mercado de consumo, mesmo que nem todos
gastem os recursos recebidos do Governo com alimento.
Ao
longo de sua história, a CNBB, em seus
documentos, sempre traduziu a verdade de que a
evangelização só se dá
eficazmente se levar em consideração
a pessoa humana no seu todo, com tudo que a envolve.
Por isso, a necessidade de conhecer bem a realidade
na qual está inserida e os conflitos que
têm incidência na vida humana, sejam
de que ordem for.
Nos
últimos tempos, ganha espaço cada
vez maior o discurso de que o Estado é
laico. Todos falam isso: políticos, intelectuais,
formadores de opinião, a mídia.
Alguém contesta isso? Ninguém, nem
a Igreja. Ocorre, entretanto, que por trás
desse discurso, o que muitos querem é tirar
das Igrejas seu direito de se pronunciarem acerca
de determinados temas que, na opinião daqueles,
fogem da alçada das religiões.
Diante
disso, o que se deve esperar da 46ª Assembléia
da CNBB é que as novas Diretrizes a serem
aprovadas pelos bispos levem a uma evangelização
que se concretiza no compromisso com a promoção
humana, levando os cristãos a uma inserção
na sociedade a fim de ser aí um agente
transformador. Não queremos uma evangelização
alienada ou alienante, mas encarnada e que considere,
sobretudo, a realidade dos pobres e excluídos.
É
claro que não basta a CNBB produzir um
bom documento. Se não houver, posteriormente,
abertura das dioceses para fazer dele a referência
de seu plano de pastoral, não só
se comprometerá a unidade como também
a comunhão eclesial, garantia de força
e da eficácia da evangelização.
<- Volta a página principal ->
|