Uma
questão de opção
Pe.
Geraldo Martins
“Deus
criou o infinito pra vida ser sempre mais!”. Bem que esta frase,
tirada de uma canção outrora muito cantada em nossas
celebrações, também poderia servir de inspiração
e motivação para o debate da próxima Campanha
da Fraternidade a ser lançada pela CNBB na Quarta-feira
de Cinzas, dia 6 de fevereiro. Pensar na vida em toda a sua amplitude,
tendo a vida humana como centro a partir do qual tudo mais ganha
valor e sentido, fará da CF um momento ímpar de
reflexão sobre as inúmeras situações
e circunstâncias que ameaçam a vida. Aqui, então,
poderíamos pensar desde a natureza destruída por
causa dos interesses econômicos, com fortes impactos em
nossa vida, até as ausentes políticas públicas,
causa das realidades subumanas que contrastam com o sonho do Criador
de um mundo aprazível no qual seja prazeroso viver.
Com
razão, a Campanha da CNBB em defesa da vida deixa claro
tratar-se da vida humana, forte e inescrupulosamente ameaçada
por contra-valores travestidos de valores que enganam e matam.
No entanto, precisamos ficar atentos para não reduzir a
luta em defesa da vida ao urgente e necessário combate
ao aborto e à eutanásia, como se a CF quisesse tratar
apenas destas duas formas de atentando contra a vida humana. O
compromisso com a vida é muito mais amplo e o texto-base
deixa isso claro quando chama nossa atenção para
as várias situações de morte que tornam vulnerável
a vida humana, como, por exemplo, o desrespeito à ecologia,
a degradação do meio ambiente, a pobreza, a miséria,
o submundo das prisões, a violência etc.
É
interessante observar que, nesse aspecto, a mídia pode
ajudar tanto a ampliar quanto a reduzir nosso olhar sobre os objetivos
da CF na medida em que coloca todos os temas abordados pelo texto-base
da Campanha ou os reduz à questão do aborto, acrescido
da posição da Igreja em relação aos
métodos contraceptivos. Os objetivos da CF são muito
mais amplos e querem nos levar a uma verdadeira conversão
à vida. Nesse particular, caberá, também
à Igreja, saber pautar a imprensa a fim de que esta seja
parceira na nobre e irrenunciável tarefa de defender a
vida na amplitude que as circunstâncias o exigem.
O
objetivo geral mostra bem o horizonte que se quer alcançar
com a Campanha. “Levar a Igreja e a sociedade a defender e a promover
a vida humana, desde a sua concepção até
a sua morte natural, compreendida como dom de Deus e co-responsabilidade
de todos, na busca de sua plenificação, a partir
da beleza e do sentido da vida, em todas as circunstâncias,
e do compromisso ético do amor fraterno”.
Observe-se
que, entre a concepção e a morte natural, há
um caminho a ser percorrido pela vida, cuja extensão não
podemos mensurar. Não podemos esquecer esse caminho onde
a vida é fortemente ameaçada. Do contrário,
o objetivo da CF não terá sido plenamente observado.
A Campanha exigirá, portanto, ações concretas
em todos os níveis - pessoal, comunitário, político
e econômico - a fim de que as estruturas de morte sejam
definitivamente banidas de nossa sociedade. Tratar-se-á,
no fundo, de uma questão de opção como lembra
o livro do Deuteronômio: “Eu lhes propus a vida ou a morte,
a bênção ou a maldição. Escolha,
portanto, a vida, para que você e seus descendentes possam
viver” (Dt 30,19). A proposta, quem faz é Deus. A escolha,
no entanto, é de cada um.
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