Padre Geraldo Martins
Dias
O
clima missionário toma conta de toda a
América Latina desde o encerramento da
V Conferência Geral do Episcopado da América
Latina e Caribe, realizada em maio do ano passado
em Aparecida (SP). Ali os bispos decidiram pela
realização da Missão Continental,
lançada, recentemente, em Quito, no encerramento
do 3o Congresso Americano Missionário,
no mês de agosto. O grande objetivo, declinado
no Documento da Conferência, é tornar
cada pessoa batizada um autêntico discípulo-missionário
de Jesus Cristo. Tarefa para lá de gigantesca,
considerando nossas atuais estruturas paroquiais
e o histórico de nossa evangelização
cujas lacunas são facilmente percebidas
no descompromisso da maioria dos católicos
que, ao seu modo, se sentem cristãos, mas
não se sentem Igreja.
No
Brasil, a CNBB acaba de aprovar o novo Projeto
Nacional de Evangelização intitulado
“Brasil na Missão Continental”,
que coloca a Igreja do nosso país em comunhão
com o projeto latino-americano. Fruto das Diretrizes
Gerais da Ação Evangelizadora da
Igreja no Brasil aprovadas pela CNBB em sua assembléia
deste ano, o Projeto retoma o objetivo da Missão
Continental latino-americana na perspectiva de
colocar a Igreja do Brasil em estado permanente
de missão a partir de uma conversão
pessoal e pastoral. Agora, cabe às dioceses
a operacionalização deste projeto,
ancoradas nas Diretrizes e no Documento de Aparecida.
É
neste contexto que se celebra no próximo
domingo, dia 19, o Dia Mundial das Missões,
instituído por Pio XI em 1926 com o objetivo
de estimular a consciência missionária
dos cristãos. Em sua mensagem para este
ano, o papa Bento XVI se inspira no apóstolo
Paulo e conclama todos os cristãos a serem
“Servos e apóstolos de Jesus Cristo”.
Lido com profundidade, o tema vai na mesma direção
do que propõe a Missão Continental
da América Latina, ou seja, fazer com que
todos se tornem discípulos-missionários
de Jesus Cristo.
Diante
de uma realidade que traz como marca a “violência,
a pobreza, as perseguições raciais,
culturais e religiosas”, entre outras coisas,
o papa Bento XVI questiona se há futuro
para a humanidade. Ele mesmo responde: “Cristo
é o nosso futuro”. A partir desta
constatação, insiste que cada batizado
se torne anunciador de Jesus Cristo. “Anunciar
Cristo e a sua mensagem salvífica constitui
um dever premente para todos”, afirma o
Pontífice.
Ele
mostra sua preocupação com as Igrejas
jovens que carecem de missionários. Mesmo
reconhecendo a escassez de padres para a missão,
lembra que cabe aos bispos, além de ir
ao encontro dos afastados, “tornar missionária
toda a comunidade diocesana, contribuindo de bom
grado, em conformidade com as possibilidades,
para destinar presbíteros e leigos a outras
Igrejas, para o serviço da evangelização”.
O
papa aponta aqui um detalhe interessante: o compromisso
com a missão universal. Nem mesmo a carência
de evangelizadores deve eximir as dioceses de
se comprometerem com as regiões que carecem
de missionários. Isto nos faz pensar, portanto,
que a missão deve nos fazer ver para além
de nossas divisas. Outra coisa não se deve
esperar da Missão Continental e, portanto,
do projeto Brasil na Missão Continental.
As dioceses, portanto, protagonistas desta missão,
devem ter este aspecto bem claro ao elaborarem
seus planos de pastoral na perspectiva da missão.
<- Volta a página principal ->
|