Padre Geraldo Martins
Dias
Na próxima quarta-feira, dia 13,
pouco mais de 400 padres, representando as 9.600
paróquias das 268 dioceses do Brasil, iniciam
o 12º Encontro Nacional de Presbíteros
(ENP), em Itaici, Indaiatuba, SP. Esse número
representa 2,2% dos cerca de 18 mil padres do
maior país católico do mundo. O
encontro, realizado a cada dois anos desde 1985,
se torna um espaço privilegiado de troca
de experiências e, ao mesmo tempo,de debate
sobre o que desafia o presbítero em sua
missão evangelizadora, na perspectiva de
construir o Reino de Deus que começa no
hoje de nossa história. É um esforço,
também, de organizar e articular os presbíteros
do Brasil nas suas diferenças e diversidade,
sempre em comunhão com os bispos, pastores
de nossas Igrejas Particulares.
O
12º ENP se propõe a discutir o presbítero
como discípulo e missionário de
Jesus Cristo na América Latina sob a luz
do Documento de Aparecida. O texto preparatório,
elaborado pelo padre José Oscar Beozzo
antes da realização da Conferência
de Aparecida em maio do ano passado, é
provocativo ao fazer uma retomada histórica
da figura dos presbíteros nas Conferências
do Episcopado Latino-americano tendo como base
as grandes opções feitas pela Igreja
da América Latina e do Caribe a partir
de Medellín (1968). Beozzo ajuda os presbíteros
a olharem o caminho percorrido, fazendo-os perceber
se têm mantido ou não na direção
delineada por estas Conferências.
O
Documento de Aparecida[1] apresenta alguns desafios
relativos à identidade e à missão
dos presbíteros que, na verdade, nem são
novos. O primeiro deles refere-se à identidade
teológica de seu ministério e o
segundo aponta para a cultura atual na qual estão
inseridos os presbíteros. Já o terceiro,
que sempre vem à tona, diz respeito à
vida afetiva do presbítero, incluindo o
celibato, reafirmado como “dom de Deus”.
Há,
ainda, outros desafios de caráter estrutural
como a extensão e a pobreza de muitas paróquias.
Também a violência de determinadas
regiões dificulta o trabalho do presbítero.
Outra questão considerada por Aparecida
são o reduzido número dos padres
e a sua má distribuição,
fazendo com que muitas comunidades fiquem privadas
de seu direito à celebração
do mistério pascal no Dia do Senhor. Aliás,
sobre isso há interessantes propostas mas
que não foram consideradas por Aparecida.
Algumas apareceram na síntese que a Igreja
do Brasil enviou para a V Conferência. Entrariam
no debate dos presbíteros?
Por
outro lado, o Documento como que traça
o perfil do presbítero que as comunidades
reclamam hoje. Eles têm que ser “presbíteros-discípulos”
com “profunda experiência de Deus”;
“presbíteros-missionários”
movidos “pela caridade pastoral” e
“presbíteros-servidores” sendo
“atentos às necessidades dos mais
pobres”.
Ao
longo do Documento, aparecem outras questões
que também desafiam os presbíteros.
Há, ainda, os desafios que são específicos
de nossa Igreja no Brasil e que não aparecem
no Documento. Certamente, serão postos
à mesa para uma reflexão séria
e profunda dos participantes do ENP. Tudo no respeito
à comunhão eclesial que se faz na
diversidade sem comprometer a unidade, característica
dos ENPs.
Os
presbíteros, responsáveis diretos
pela Igreja das bases juntamente com as lideranças
de nossas comunidades, têm muito a contribuir
neste esforço de traduzir as grandes opções
de Aparecida que retoma a proposta de uma Igreja
do Vaticano II em que sobressaem a centralidade
da Palavra de Deus e da Eucaristia, a ênfase
na missão, a opção pelos
pobres, a retomada das CEBs e a valorização
dos leigos e leigas. Tudo isso levando em conta
a "mudança de época" que
caracteriza nossos tempos e reconhecendo o muito
que os presbíteros já fazem pelo
Evangelho e pela Igreja neste país de dimensões
continentais.
[1]
Cf. Documento de Aparecida, nn. 191-200
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