Padre Geraldo Martins
Dias
No
próximo ano, serão comemorados dois
mil anos do nascimento de São Paulo. O
papa Bento XVI convocou toda a Igreja para celebrar
a data e instituiu o Ano Paulino, que ele abriu
no dia 28 de junho, em Roma. Será, sem
dúvida, uma oportunidade ímpar para
nossas comunidades conhecerem este apóstolo,
reconhecido como coluna da Igreja.
O
que me chama a atenção na vida de
Paulo? São muitas coisas, mas citarei apenas
três. Em primeiro lugar o jeito como ele
se encontrou com o Cristo. “Saulo, Saulo,
por que me persegues?” (At 9,4). É
assim que Cristo se apresenta a Paulo que, determinado,
partia para Damasco a fim de reprimir o cristianismo
que nascia com vigor e arrastava multidões.
Perseguindo os cristãos, Paulo perseguia
o próprio Cristo. E com que convicção
o fazia! Ele mesmo vai recordar esta história
ao escrever aos Gálatas, admitindo que
“perseguia e devastava a Igreja de Deus
com excessos” (Gl 1,14). “Quem és
tu, Senhor?” (At 9,5), indaga Paulo que,
caído, já não mostra a mesma
convicção. Seu encontro com Cristo
foi, portanto, podemos dizer, “violento”
e, ao mesmo tempo, decisivo para rumar por outros
caminhos. Desde então, tornou-se o apóstolo
que conhecemos, totalmente impregnado de Cristo.
Em
segundo lugar, Paulo me chama a atenção
pela radicalidade com que vive seu ministério.
De onde lhe vem esta radicalidade? De sua experiência
com o Ressuscitado que, de tão forte, o
leva a abandonar tudo para possuir somente Cristo.
“Por causa dele, perdi tudo e considero
tudo como lixo, a fim de ganhar Cristo e ser encontrado
unido a ele” (Fl 3,8s). Esta radicalidade
tem sua raiz no amor que o torna tão íntimo
de Cristo que pode dizer: “Eu vivo, mas
não eu: é Cristo que vive em mim”
(Gl 2,20).
Um
terceiro aspecto da vida de Paulo que ressalto
é sua capacidade de organizar as comunidades.
É quando se destaca como evangelizador
por excelência! De que ferramentas se serve
para lograr tanto êxito? Primeiramente da
Palavra! “Cristo não me enviou para
batizar, mas para anunciar o evangelho”,
afirma à comunidade de Corinto (1Cor 1,17).
Outra ferramenta é a valorização
dos ministérios confiando as comunidades
ao cuidado de seus próprios membros. Paulo
não constrói comunidades centradas
ou dependentes de si. Ele descobre e forma lideranças
que conduzem as comunidades cujo centro é
Jesus Cristo. Isso faz de Paulo um itinerante
do Reino. Parece até que assumiu sozinho
o mandato de ir por todo o mundo pregar o evangelho,
conforme ordena Jesus (Mt 28, 19), dadas as inúmeras
e arriscadas viagens que empreendeu.
Vivemos
na Igreja do Brasil e da América Latina
um novo tempo, proporcionado pela Conferência
de Aparecida. O compromisso é tornar cada
batizado um discípulo-missionário
de Jesus Cristo, a partir da vida em comunidade
edificada sob a fé pascal. A meta é
fazer de nossas comunidades prenúncio do
Reino inaugurado por Jesus Cristo, cujos protagonistas
são os pobres e excluídos. O Ano
Paulino se apresenta, neste contexto, como inspiração
e caminho para a concretização deste
grande e urgente desafio assumido por Aparecida.
Seguir os passos de Paulo é garantia de
meta alcançada.
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