Dom
Luciano, luz que não se apaga
Pe.
Geraldo Martins
Domingo,
27 de agosto de 2006. Por volta das 18 horas, do Hospital das
Clínicas, em São Paulo, veio a notícia que
abalou a Arquidiocese de Mariana e a Igreja do Brasil. Era anunciada,
naquele instante, a morte de um dos ícones do episcopado
brasileiro: dom Luciano Pedro Mendes de Almeida. Em poucos minutos,
o Brasil inteiro chorava o passamento do arcebispo que ganhara
fama e respeito, em todos os setores da sociedade, pela coerência
de seu testemunho e autenticidade de sua fé; pela inteligência
rara e pelo serviço abnegado aos pobres e excluídos.
Morria um homem bom, um homem de Deus por se fazer um servo de
todos.
Fazer
memória de dom Luciano neste dia em que se comemora o primeiro
aniversário de seu falecimento é, em primeiro lugar,
elevar a Deus uma prece de louvor e gratidão pelo dom que
foi dom Luciano para a Igreja e para a sociedade brasileira. Não
é exagero e nem força retórica afirmar que
não há um lugar em nosso país em que seu
nome não seja conhecido e, acrescente-se, respeitado e
admirado. E, por onde passava, levava o nome da Arquidiocese que
ele serviu por 18 anos. Em qualquer lugar que a gente vá
e se apresenta como da Arquidiocese de Mariana, vem logo a identificação:
“Ah, a diocese de dom Luciano, né?!”
Em
segundo lugar, lembrar dom Luciano é tornar presentes suas
obras inspiradas, antes de tudo, no seu amor a Deus e na sua fidelidade
à Igreja. Esses eram seus dois grandes e únicos
amores concretizados no serviço aos pobres, na defesa dos
direitos humanos, na luta por justiça social, na entrega
aniquilante de si mesmo em favor do outro em quem via, de modo
limpo e transparente, a imagem de Deus.
Fazer
memória de dom Luciano é, ainda, perceber a essência
de seus gestos, palavras e atitudes voltados, antes de tudo, para
a pessoa. Tal como Jesus, fazia da acolhida o gesto maior de respeito
e amor a quem lhe recorria com os mais variados pedidos segundo
sua necessidade e carência. Sua acolhida ia além
da formalidade de apertar a mão e de sorrir por sorrir,
mas o levava a “perder tempo” ouvindo e aconselhando, tal como
o ‘Bom Samaritano’, mudando de rota e retardando sua viagem para
os inúmeros compromissos que só cabiam em sua agenda.
A
saudade é inevitável. No entanto, como é
aprazível recordar dom Luciano! Foi ele mesmo que nos ensinou
que a fé no Ressuscitado não comporta tristeza.
Por isso, hoje, o sentimento que toma conta do nosso coração
é de uma saudosa alegria pelos 18 anos de convivência
com ele em nossa querida Arquidiocese de Mariana. Sua imagem,
seus gestos, seu sorriso, suas palavras, se testemunho nos acompanharão
sempre. Ele não morreu, mas continua vivo a nos inspirar
e animar nos caminhos do amor a Deus e à Igreja a partir
do compromisso com os pobres e excluídos. Sua luz não
nos deixará caminhar na escuridão jamais! Ela não
se apaga e continua iluminando nossos caminhos e sonhos ‘in nomine
Jesu’!
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