|
Histórico
Organização
Dom
Luciano
Tribunal
Eclesiático
Seminário
Museu
Catequese
|
Mande
notícias
A
voz de um profeta
Pe.
Geraldo Martins
A
estreita sala da cúria metropolitana da arquidiocese de
Brasília ficou ainda menor para o batalhão de repórteres
e cinegrafistas que se apertavam para ouvir dom frei Luiz Flávio
Cappio, bispo de Barra, na Bahia. A Coletiva aconteceu nesta quinta-feira,
dia 22 de fevereiro, às 11 da manhã, após
ter protocolado uma carta no Palácio do Planalto, endereçada
ao presidente Lula em que solicita, por parte do Governo, a retomada
de diálogo com a sociedade sobre o projeto que prevê
a transposição do Rio São Francisco.
Conhecido
por seu gesto ousado em 2005, quando fez greve de fome por dez
dias contra o projeto, dom Cappio se tornou a voz profética,
num país e numa Igreja tão carentes de profetas,
na defesa de uma população inteira que pressente
aumentar seu sofrimento com a realização iminente
do projeto do Governo.
O
bispo de Barra fala com a autoridade de quem vive e partilha a
vida e o sofrimento das populações do semi-árido.
Sua voz lúcida e firme denuncia, destemidamente, os riscos
de se levar adiante o projeto.
Engana-se
quem pensa que dom Cappio esteja sozinho nessa luta. São
muitas as organizações que o acompanham e respaldam
sua proposta de retomada de diálogo com o Governo sobre
projetos alternativos à transposição. Ele
não é polêmico nem louco, como alguns querem
fazer crer pela forma como narram seus gestos e atitudes. É
apenas um profeta no exercício consciente de sua missão
de defender a vida dos pobres e excluídos.
Quem
participou da coletiva de dom Cappio nesta quinta-feira pôde
sentir o quanto ele é comprometido com a causa dos pobres.
É uma pena que os repórteres não consigam
traduzir, no tempo e no espaço que seus editores lhes dão,
todos os argumentos e palavras pronunciadas pelo bispo nos sessenta
minutos de entrevista que concedeu à imprensa.
O
exemplo de dom Cappio, visto no contexto da Campanha da Fraternidade
sobre a Amazônia lançada um dia antes e às
vésperas da V Conferência do Episcopado Latino-americano
e Caribenho em Aparecida (SP), há de ser estímulo
ao renascimento, no seu seio da Igreja, dos profetas que tiveram
sua voz silenciada e sua missão interrompida, entre outras
razões, pelos impactos de novas eclesiologias que parecem
querer desencarnar o evangelho pregado por Jesus Cristo. De lutas
e testemunhos assim depende a esperança dos prediletos
de Deus, os pobres e excluídos, cuja opção
preferencial a Igreja da América Latina precisa retomar
urgente e com toda força.
<----
Volta a página principal ----->
|
Volta
a página
<- Principal ->

Veja
os artigos
anteriores
|