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A reforma política e a participação popular

Pe. Geraldo Martins

   A CNBB acaba de lançar a cartilha Reforma para mudar a política. Trata-se de uma contribuição da Igreja para o debate sobre a reforma política que se arrasta há pelo menos dois anos no Congresso Nacional e que seria votada na quarta-feira, dia 14, mas foi adiada para a próxima semana. Com isso, a CNBB revela, mais uma vez, a vocação cidadã da Igreja e seu compromisso com uma evangelização que considera a pessoa humana em todas as suas dimensões.
   Na pauta da reforma política estão o voto em lista, financiamento público de campanhas, fim das coligações proporcionais, fidelidade partidária, cláusula de barreira, fim do voto secreto, voto facultativo, eleição de suplente de senador e voto distrital. Muitos desses temas devem ser estranhos para a maioria da população. Da mesma forma seu significado e a implicação que podem ter na vida de cada cidadão.
   Os mais interessados numa reforma ampla e séria que resgate a credibilidade da classe política e da organização política nacional devem ser os eleitores. Não envolvê-los nesse debate coloca sob suspeita a própria reforma. Afinal, a história é testemunha de que, quando se trata de legislar em própria causa, nossos legisladores são brilhantes. Haja vista, por exemplo, a votação do próprio salário.
   Os Movimentos Sociais vão além e propõem uma reforma política que seja ‘ampla, democrática e participativa’ a partir de quatro eixos: fortalecimento da democracia direta e da democracia participativa, aprimoramento da democracia representativa e a democratização da informação e da comunicação. Não querem uma reforma apenas eleitoral como a que está sendo proposta e detalham outras questões que podem, de fato, revolucionar a política em nosso país como, por exemplo, a revogação popular de mandatos eletivos tanto no Executivo quanto no Legislativo além da realização de um referendo sobre a Reforma Política que será aprovada no Congresso.
   O tsunami da corrupção no Brasil parece não ter fim. As novas denúncias que surgem a cada dia trazendo para pauta nomes e mais nomes de políticos só fazem aumentar o descrédito na política e nos seus atores. Por causa disso, há também um tsunami de desânimo que avança célere sobre os cidadãos afogando-lhes a esperança de que se possa resgatar a ética na vida política e construir uma verdadeira democracia no país. Com isso, a militância pela construção de uma sociedade justa e igualitária deixa de ser sonho e luta, cresce a tentação do ‘cada um pra si e Deus pra todos’ e os ideais de democracia passam a apontar para horizontes próximos do infinito.
   Uma reforma política bem feita pode reverter esse quadro. Isso é possível com a força e a participação popular. Os cristãos têm, nesse momento, o evangélico dever de se apresentarem para esse compromisso. Chamados a serem protagonistas do Reino de Deus que começa já neste mundo, eles devem mostrar a ‘razão de sua esperança’ e assumir seu papel de agentes transformadores da sociedade a partir de seu compromisso com a justiça e a vida.

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