Amazônia
e Comunicação
Pe.
Geraldo Martins
Durante
cinco dias, de 15 a 20 de julho, a capital paraense acolhe centenas
de comunicadores de todo o Brasil, especialmente, militantes da
Pastoral da Comunicação das paróquias e dioceses,
para o V Mutirão Brasileiro de Comunicação
ou simplesmente Muticom. Organizado pela CNBB com apoio de inúmeras
entidades ligadas à comunicação, o Mutirão
nasceu em 1998. Realizou-se pela primeira vez em Belo Horizonte
e já foi acolhido por São Paulo, Salvador e Guarapari,
no Espírito Santo.
O Muticom é uma prova do quanto o tema
da comunicação é caro à Igreja. Caracterizado
pela pluralidade e com rosto ecumênico, uma vez que se destina
não só aos agentes das pastorais, mas também
a estudantes, lideranças de movimentos populares, membros
de outras Igrejas e comunicadores em geral, o Mutirão se
torna espaço privilegiado de diálogo da Igreja com
a sociedade. Nele são apresentados os pensamentos mais
modernos no que tange à comunicação bem como
os desafios que trazem consigo as novas tecnologias que, sem pedir
licença, vão vencendo as barreiras do tempo e do
espaço e aproximando as pessoas umas das outras. O mundo,
de fato, se tornou, rapidamente, uma ‘aldeia global’.
Durante muito tempo, e ainda hoje, afirma-se
que a Igreja demorou a entrar no mundo das novas tecnologias da
comunicação e que sua presença nos meios
eletrônicos se dá tardiamente considerando outros
segmentos religiosos que, há muito, fizeram desses meios
seu novo e eficiente púlpito. Nesse contexto, o Muticom
contribui, por um lado, para revelar o complexo e maravilhoso
mundo da comunicação e, por outro lado, para iluminar
criticamente a ação da Igreja quanto ao seu esforço
de comunicar a mensagem salvadora de Jesus Cristo através,
especialmente, dos meios de massa.
O tema do Mutirão, Amazônia e Comunicação,
nos remete à Campanha da Fraternidade desse ano e o lema
Fé e Cultura da paz aponta para o objetivo maior de toda
comunicação humana. O coração da Amazônia,
onde se realiza o Muticom, se torna, assim, cenário propício
para uma reflexão crítica sobre o quanto os meios
de comunicação cumprem seu papel na árdua
tarefa de construir a paz. Igualmente, o coração
da Amazônia, por meio desse Mutirão, inspire e convença
as comunidades eclesiais e todos os comunicadores da urgência
de nos empenharmos na luta pela democratização dos
meios de comunicação, assegurando a todos o direito
à informação, condição básica
para a construção da cidadania.
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