Carta
ao prof. Aquino
Pe.
Geraldo Martins
Prof.
Aquino,
Li
seu comentário sobre o artigo de Dom Pedro Casaldáliga
A Verdade, Pilatos, é... Não imaginava que seu fundamentalismo
e sua fúria contra a teologia da libertação
e seus teólogos chegassem a tanto. Tão pouco poderia
supor que trouxesse sementes de xenofobia em sem coração.
Sim, porque propor a dom Pedro que volte para sua pátria
de origem é, no mínimo, sinal de xenofobia. Esse
como os demais sentimentos expressos em sua resposta não
coadunam, em absoluto, com o ser cristão. Sua defesa da
fé cristã e da Igreja nos passa a imagem de um cristão
modelar, ilibado, portanto, não lhe caberiam tais sentimentos.
Que
o senhor faça opção por uma eclesiologia
alienada e alienante, alimentada por uma cristologia, da mesma
forma, desencarnada e a-histórica, a gente compreende e
aceita. Agora, desqualificar com linguagem arrogante, xenófoba,
fundamentalista, homens que fazem e fizeram de sua vida, tal como
Cristo, um aniquilamento em favor dos pobres e excluídos,
é imoral, antiético, anticristão. O amor
deles pela Igreja de Cristo é de tal profundidade que ultrapassou
sua capacidade de compreendê-los. Talvez isso o tenha deixado
confuso, perturbado, levando-o a escrever o que escreveu.
Sua
resposta, prof. Aquino, revelou seu desequilíbrio diante
do plural e diferente que marcam não só a sociedade
como também a Igreja nela inserida. Mais ainda. Transpirou
ódio contra homens que são referência para
a Igreja do Brasil e cuja vida é admirada por todos que
sonham com uma Igreja servidora dos pobres. O senhor tem ciúmes
por não ser capaz de dar semelhante testemunho da fé?
Ah,
se o senhor conhecesse esses homens!.... Mas, fique tranqüilo.
A grandeza deles, sua honra, seus méritos, não serão
afetados por suas palavras. Tanto os que caminham conosco, dom
Pedro e dom Paulo, quanto os que, merecidamente, participam da
Glória do Pai, dom Luciano e dom Hipólito (para
ficar apenas nos que foram citados em seu artigo) já perdoaram
seu desvario. A santidade deles é infinitamente maior que
seu fundamentalismo arrogante e preconceituoso. Esta é
sua sorte: o coração deles é grande o suficiente
para perdoar os míopes na fé.
Como
o senhor está bastante desinformado sobre a biografia dos
que afirma terem “errado o caminho”, envio, anexos, alguns depoimentos
e testemunhos acerca da vida e da obra de dom Luciano com quem
convivi 18 anos na diocese primaz de Minas Gerais. Sinto, portanto,
o dever imperioso de dizer-lhe que, ao ofender dom Luciano, o
senhor ofendeu toda a Arquidiocese de Mariana e a Igreja do Brasil.
Ao
terminar, faço minhas as palavras de dom Demétrio
Valentini, bispo de Jales (SP): “A
morte permitiu também que D. Luciano usasse da mesma delicadeza
que sempre teve com as autoridades eclesiais, que nem sempre compreenderam
sua grandeza de ânimo. Completados 75 anos, já tinha
apresentado ao Papa sua carta de renúncia. Pois bem, a
morte de D. Luciano livrou a Igreja de um constrangimento crucial:
dispensar os serviços de uma pessoa tão indispensável
como D. Luciano! Deus mesmo se encarregou de aceitar, não
sua renúncia, mas sua própria vida. Agora, o povo
está disposto a dispensar a Igreja de outro constrangimento:
canonizar logo D. Luciano. Pois todos já temos completa
certeza, a mesma do centurião ao pé da cruz: Verdadeiramente,
este homem foi um santo!”
Igualmente,
faço minha a afirmação de Cândido Mendes
ao discursar minutos antes do sepultamento de seu irmão
cuja vida e obra jamais se apagarão de nossa memória:
“Não
sei se a melhor forma de falar de Dom Luciano é: ‘Enfim,
descansou’. Descansou coisa nenhuma! Dom Luciano, necessariamente
em Deus, vai continuar, não na facilidade do apenas merecer
a vida eterna. Ele já está fazendo muito barulho
na comunhão dos santos no que efetivamente representa esta
condição.
Também
não me digam que temos um santinho lá no céu.
Por favor, Dom Luciano não é, primeiro, nenhum diminutivo,
a não ser o diminutivo carinho. Em segundo lugar, o que
quero salientar é que o que Dom Luciano nos dá,
definitivamente, é a alegria do céu trazida para
a terra. Dom Luciano não é um santinho lá.
Ele é a presença invasora, permanente, da graça
e de Deus entre nós”.
Com
votos de feliz páscoa,
Pe.
Geraldo Martins
Assessor da CNBB – Comunicação e Informática
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