Cassados
por corrupção eleitoral
Pe.
Geraldo Martins
É
possível acabar com a corrupção eleitoral?
É claro que os pessimistas dirão em alto e bom tom:
“Não!”. Mesmo os mais otimistas, diante do quadro político
desolador que nos envolve, provavelmente, terão dificuldade
de afirmar o contrário. No entanto, há um dado novo
e significativo que pode, pelo menos, fazer os pessimistas de
plantão pensarem um pouco mais e levantar o ânimo
dos que acreditam em mudanças. Trata-se da divulgação
do dossiê que o Movimento de Combate à Corrupção
Eleitoral (MCCE) divulgou nesta quinta feira, 4 de outubro, dia
de São Francisco de Assis, na sede da CNBB, em Brasília.
Os
números falam por si: 623 políticos cassados com
base na Lei 9840 desde o ano 2000! O número parece pequeno
diante do volume de corrupção que sabemos existir.
No entanto, não fosse a 9840, nem esses teriam sido cassados.
Mesmo se considerarmos que alguns dos cassados ainda permanecem
no cargo por força de liminares, o que se deve levar em
consideração é que a corrupção
eleitoral está sendo combatida.
De
quem é, afinal, essa vitória? De toda a sociedade.
Por duas razões: primeiro porque acreditou na proposta
de criar uma lei para combater especificamente a corrupção
eleitoral caracterizada pela compra de voto e pelo uso da máquina
administrativa. Com isso, atendeu o apelo das organizações
que trabalharam por aquilo que se tornou, em 1999, o primeiro
projeto de lei de iniciativa popular. Mais de um milhão
de pessoas assinaram pedindo uma lei para pôr fim na corrupção
eleitoral. Essa lei jamais poderia sair do Congresso porque vai
contra o interesse de muitos que lá se encontram.
Em
segundo lugar, a vitória é da sociedade porque,
através de organizações civis, continuou
acreditando na eficácia da 9840. Os inúmeros Comitês
de Combate á Corrupção Eleitoral espalhados
pelo Brasil, animados e assessorados pelo MCCE, são a razão
de ser do resultado da aplicação da Lei, respaldado
pela Justiça que, cumprindo seu papel, aplica o que determina
a 9840.
Os
números divulgados hoje são um pálido reflexo
do quanto pode uma sociedade organizada. É preciso nos
darmos conta disso! Sonhamos com o dia em que os profissionais
da política, hábeis comerciantes de votos e astutos
usuários da máquina administrativas, sejam definitivamente
banidos dos cargos públicos. A utopia do Reino de Deus
me faz acreditar que isso é possível e ocorrerá
tão mais rápido quanto mais freqüentemente
exercermos nossa cidadania apelando para a lei que ajudamos a
criar. Eu acredito: é possível acabar com a corrupção
eleitoral!
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