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Inclusão social do jovem

Pe. Geraldo Martins

     Dos inúmeros probemas sociais por que passa o Brasil, muitos requerem, para sua solução, parcerias que podem advir da sociedade civil organizada e também de entidades privadas. De uma ou de outra, o que contará é sua sensibilidade social e sua capacidade de colocar-se no lugar de quem precisa. Se se deixarem levar apenas por questões político-ideológicas, dificilmente se sentirão corresponsáveis pela construção de uma sociedade igualitária e justa.
     Apontado como uma das chagas do país, o desemprego é uma mancha que atinge especialmente os jovens. E isso por duas razões básicas: falta de experiência e mão de obra desqualificada. Quando se pensa no jovem de periferia, então, o emprego fica muito mais distante.
     O programa Escola de Fábria, iniciativa do Governo Federal através do Ministério da Educação, apresenta-se como uma boa alternativa aos jovens pobres, entre 16 e 24 anos. Com a exigência de que os candidatos estejam matriculados na escola formal e que não tenham uma renda per capta maior que um salário e meio, o programa só se aplica se houver a contrapartida da sociedade. O Governo disponibiliza recursos que se destinam a pagar meio salário mínimo aos alunos, os professores do projeto e material didático. O curso, com duração de seis meses, dá uma formação básica ao jovem em várias áres de modo a torná-lo apto ao mercado de trabalho.
     As entidades que se apresentam para formar uma turma com 20 alunos, denominadas Unidades Formadoras, contribuem muito para o resgate da cidadania da juventude. Os recursos são disponibilizados pelo Governo, porém, é preciso que as entidades, movidas por sentimentos de solidariedade e caridade, se apresentem para formar as parcerias necessárias.
     A Fundação João XXIII de Amparo ao Menor, mantenedora da Pastoral da Criança e do Menor em Barbacena, descobriu o projeto e formou logo duas turmas em Antônio Carlos e duas em Barbacena. São 80 jovens recebendo meio salário mínimo durante seis meses, além de aprenderem uma profissão. Mas a Fundação foi além. Ela acaba de apresentar os documentos ao MEC para se tornar uma Unidade Gestora e, assim, assim atingir mais jovens, considerando sua capacidade de mobilizar a Arquidiocese de Mariana para apresentar seja através da Pastoral da Criança e do Menor, seja através das paróquias ou outras entidades, projetos dentro do Escola de Fábrica. Numa primeira etapa, são apresentados 17 projetos que, se aprovados, beneficiarão 340 jovens.
     Não basta condenar as desigualdades sociais. É preciso apresentar-se para ajudar a reduzi-las. A solução das mazelas sociais não vem de um só, mas é fruto do esforço conjunto de todos os que, guiando-se pelo espírito cristão e humanitário, fazem do outro que precisa o centro de seus projetos e atenções.

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