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Conservadorismo
católico
Pe.
Geraldo Martins
Já
aconteceu, mais de uma vez, de eu ser procurado por noivos ou
por alguém em nome deles solicitando-me assistir seu casamento
em outra paróquia da Cidade das Rosas. Após explicar
que tenho por prática fazer casamentos apenas na paróquia
em que sou pároco, exceto quando um companheiro padre me
solicita para substituí-lo, indago as razões do
pedido. É comum ouvir como resposta: “É porque na
paróquia onde vamos nos casar, o casamento é feito
pelo diácono permanente e a gente quer que seja padre”.
Tal
resposta é reflexo de uma Igreja conservadora que paga
um alto preço por ter centrado tudo na pessoa do padre
durante séculos. Ao mesmo tempo revela o quanto nossos
católicos carecem de catequese! Preferir um padre a um
diácono para que seja testemunha qualificada (esse é
o termo correto para o ministro que “faz” o casamento) do matrimônio
é ignorar, pelo menos duas coisas.
Em
primeiro lugar, os ministros do matrimônio são os
próprios noivos. Eles é que ministram a si mesmos
o sacramento sob o testemunho de alguém que, em nome da
Igreja, recebe o consentimento que dão um ao outro. Daí
o nome de testemunha qualificada do matrimônio que, inclusive,
com a permissão da Igreja, pode ser leigo. E não
são poucas Dioceses que têm casais exercendo esse
ministério. Nem por isso as pessoas deixam de se casar
na Igreja.
Em
segundo lugar, preferir padre a diácono é mostrar
ignorância em relação ao ministério
ordenado. Tanto um quanto o outro, pela imposição
das mãos do bispo, são ordenados para servir à
Igreja e ministrar os sacramentos. Não há diferença!
É
provável que alguns se assustem pelo fato de os diáconos
permanentes serem casados. Que diferença faz? E se os padres
vierem a se casar um dia? O celibato é uma norma disciplinar
da Igreja. Um dia pode cair. Nesse caso, os católicos deixarão
de freqüentar a Igreja? Abandonarão os sacramentos?
Não nos iludamos, o tempo passa e as coisas mudam!
Outros
podem alegar que os padres falam melhor, são mais bem preparados.
Isso não condiz com a verdade, absolutamente. Além
do mais, tal argumentação pode significar preconceito.
Se os noivos refletissem melhor, prefeririam os diáconos
exatamente por serem casados. Afinal, sua palavra teria o embasamento
da experiência de vida conjugal que os padres não
têm.
Custa-me
entender como a maioria dos católicos aceita com grande
facilidade os avanços da sociedade, mas resistem às
mudanças da Igreja. Prezam, não pela Tradição,
mas pelo tradicionalismo que esconde resistência ao novo,
desconhecimento do evangelho e do próprio pensamento da
Igreja. Muitas atitudes dos que se dizem “católicos, apostólicos,
romanos” chegam a ser contraditórias porque rejeitam o
que a própria hierarquia da Igreja aprova e incentiva,
como é o caso do diácono permanente.
Quando
um casal de noivos me diz que não gostaria que seu casamento
fosse assistido por um diácono permanente, pergunto-me
até que ponto esse casal tem consciência do sacramento
que pede. É uma pena ver os noivos se estressando à
procura de padre quando o diácono foi ordenado também
para isso. Nenhum casamento é ‘mais bem feito’ porque assistido
por um sacerdote. Quando vamos aprender que o sacramento opera
por si e que o ministro é tão somente instrumento
de Deus para fazer chegar às pessoas Sua graça e
Seu amor? Nossos católicos precisam evoluir.
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