|
Histórico
Organização
Dom
Luciano
Tribunal
Eclesiático
Seminário
Museu
Catequese
|
Mande
notícias
CEBs
e eucaristia
Pe.
Geraldo Martins
De 16 a 18 de junho, em Desterro
do Melo, foi realizado o 22º encontro arquidiocesano das
Comunidades Eclesiais de Base. Participaram 110 pessoas que refletiram
as CEBs à luz da Eucaristia, mistério central da
fé cristã, sob o lema Viver a comunhão
é nossa missão.
Há mais de um ano, o tema
da eucaristia tem ocupado as reflexões na nossa Igreja.
Motivadas pelo Ano Eucarístico aberto por João Paulo
II, em outubro de 2004, e encerrado no ano passado pelo papa Bento
XVI. Excepcionalmente, no Brasil, o Ano Eucarístico se
estendeu até o dia 21 de maio passado para coincidir com
o Congresso Eucarístico Nacional, realizado em Florianópolis.
Falar de CEBs e eucaristia soa redundância.
Em sua definição uma CEB se constitui a partir da
mesa em torno da qual se reúnem os filhos e filhas de Deus
para, como irmãos e irmãs, alimentarem-se do “pão
da vida”, garantida de vida eterna. Convocados pela Palavra de
Deus, os membros das comunidades se constituem em família
e celebram, na eucaristia, o mistério redentor de Cristo
Jesus que, na cruz, se dá ao mundo.
O que se deve discutir, então,
é a prática desta eucaristia no dia a dia do cristão.
É quando, então, nos lembramos da ‘base’. Tal como
Cristo se faz eucaristia para nós, na comunidade devemos
também nos fazer eucaristia para os outros, especialmente
para os que estão na base da injusta pirâmide social,
sustentando o peso que lhe fazem cair nos ombros os ricos e poderosos
devido à sua ganância e, muitas vezes, indiferença
expressa na falta de solidariedade.
O compromisso das CEBs com os pobres e excluídos não
pode ficar esquecido. É uma
exigência eucarística. Seria errado dizer que comunga
sacrilegamente quem, após comer o Corpo de Cristo e beber
seu Sangue, fica indiferente à dor e ao sofrimento dos
pobres e excluídos? Aquele que compactua com sistemas político-econômicos
que geram riqueza para poucos às custas da pobreza de milhões
não corre o mesmo risco?Resgatar a ‘base’ de nossas Comunidades
é urgente para que elas sejam ‘Eclesiais’ segundo o projeto
de Jesus Cristo. A própria Igreja precisa debruçar-se
sobre sua prática evangelizadora e avaliar até que
ponto sua catequese, sua liturgia e seu anúncio apontam
para a opção preferencial pelos pobres. Preocupa-me
a imagem de uma Igreja triunfalista que a mídia televisiva
católica tem passado às nossas comunidades. Os que
alcançaram a graça de uma visibilidade miditática,
sobretudo nos meios não católicos, são incapazes
de discursos proféticos que denunciem a injustiça
que vitima os milhões de pobres no Brasil. Entusiasmam-se
e contentam-se com shows (às vezes travestidos de missa)
que beiram à alienação. Isso é uma
pena. Perdem grande ocasião de revelarem um Cristo indignado
com as estruturas pecaminosas que geram excluídos no país.
As CEBs, agora mais do que antes,
estão na ordem da ‘minoria abraâmica’. De sua resistência
é que virá a vida dos miseráveis. De sua
fé encarnada, alimentada por uma espiritualidade libertadora,
depende a esperança de milhões que vivem a utopia
do Reino que se inspira em Mt 25.
Repensar o lugar das CEBs é também tarefa de nossa
Arquidiocese quando, no seu encontro anual, faz coincidir outros
compromissos que lhe tiram presenças importantes e imprescindíveis
ou as reduzem significativamente. Isso é sinal de que ainda
não temos colocado as CEBs em primeiro lugar. Esse encontro
deveria mexer com toda a Arquidiocese. 110 pessoas são
um número pequeno para uma Arquidiocese com mais de um
milhão de habitantes, com 130 paróquias e mais de
duas mil comunidades. Oxalá a eucaristia que cotidianamente
celebramos nos faça rever caminhos e nos estimule a mudar
de direção quando estivermos na contramão
do Reino de Deus que começa com a opção preferencial
pelos pobres.
<----
Volta a página principal ----->
|
Volta
a página
<- Principal ->

Veja
os artigos
anteriores
|