Não
à corrupção eleitoral
Pe.
Geraldo Martins
É
visível o desânimo que se abate em grande parte da
população quando o assunto é eleição.
Está bastante comum ouvir eleitores dizerem que não
vale à pena votar porque política é só
sujeira e que nenhum político presta. Esse quadro se agravou,
sem dúvida alguma, após os sucessivos escândalos
que desmoralizaram o Congresso Nacional. Tal realidade fez surgirem
grupos argumentando e defendendo o voto nulo. Isso é, no
mínimo, perigoso, quando não, um atentado à
democracia.
A
política é suja mesmo? Originalmente, é claro
que não, mas alguém pode sujá-la. É
como uma água que corre a céu aberto e chega cristalina
na bica. Mas se um porco a descobre e se põe a espojar
nela, ela chegará suja na bica. O que fazer para que volte
a ser cristalina? Basta tocar o porco.
Da
mesma forma, se alguém está sujando a política
(e muitos estão), basta impedir que o façam. Nesse
caso, o primeiro e mais eficaz meio é o voto.
Esta
ação, no entanto, não se dá apenas
no dia da eleição. Ela deve acompanhar todo o processo
eleitoral procurando descobrir os candidatos corruptos que compram
voto ou usam a máquina administrativa para conseguir votos.
A arma de que dispõe o cidadão é a lei 9.840
que trata dessa questão.
A
incredulidade na política tem levado muita gente a não
crer também nas leis. Contudo, um estudo mais apurado faz
perceber que esta lei tem conseguido bons resultados no país.
Em muitos lugares, o Ministério Público, auxiliado
por organizações populares, tem cumprido exemplarmente
seu papel no que tange a garantir a cidadania dos eleitores não
permitindo que seu voto seja objeto de barganha.
A
Igreja pode contribuir muito para aplicação desta
lei, considerando o grande número de lideranças
que possui nas comunidades. Para tanto, seria necessário
multiplicar os Comitês 9.840 que têm como objetivo
tornar a lei conhecida e fiscalizar a campanha dos candidatos
a fim de denunciar os que praticam a corrupção eleitoral
na forma da lei.
Também
o eleitor tem que dar sua contribuição. Em muitos
lugares, a prática ilícita de determinados candidatos
durante a campanha é assunto em qualquer boteco. O medo
de denunciá-lo, porém, é maior porque coloca
em risco o emprego do eleitor ou de alguém que lhe seja
próximo. Pior ainda é quando o eleitor se vê
coagido a não só ter que votar no seu patrão-candidato
como também a ter que conseguir um determinado número
de eleitores para ele. De empregado, ele se torna cabo eleitoral
do candidato, contrariando sua consciência. Infelizmente,
aqui e acolá, ouve-se dizer que isso acontece.
O
compromisso com um país novo é de todos. Combater
a corrupção eleitoral e votar conscientemente são
caminhos de quem acredita na vitória do bem sobre o mal.
Considerando o princípio de que a base da fé cristã
é a vitória do bem sobre o mal e que o Brasil é
o maior país católico do mundo, estas eleições
podem significar o surgir de uma nova nação.
<----
Volta a página principal ----->