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O código da fé

Pe. Geraldo Martins

     Todos têm o direito de crer e de não crer. Crendo ou não, ninguém tem o direito de brincar com a religião e os símbolos religiosos de outrem. A liberdade religiosa exige respeito às expressões de fé de cada um. Às religiões caberá sempre o direito e o dever de se defenderem e de protestarem quando se julgarem objeto da ironia, do escárnio e do desrespeito praticado por pessoas que pensam diferente.
     Compreendo a reação da Igreja Católica em relação ao filme Código Da Vinci que chega às telas de cinema. Embora ainda não tenha lido o livro que deu origem à película, tenho noção de seu conteúdo. Não faço parte do grupo dos que se assustam com as idéias nele contidas. Isso não abala em nada minha fé. Sempre continuarei afirmando a divindade do Cristo encarnado que doou sua vida na cruz pela redenção da humanidade, inclusive do autor do livro. Não ponho em dúvida a autenticidade do que a Bíblia fala a respeito do Cristo, razão da minha fé.
     Tampouco me coloco numa atitude defensiva. É justo e necessário que a Igreja se manifeste e repudie as idéias do autor que são blasfemas e ofensivas. No entanto, não creio que caiba, da parte da Igreja, nenhuma atitude autoritária ou repressiva. Isso só faz aumentar o interesse, a expectativa e o desejo das pessoas de assistirem ao filme.
     A Igreja precisa confiar na maturidade de seus fiéis e na catequese na qual ela mesma os educou. A esses caberá a tarefa de discernimento à luz da fé que professam. Não há razões para medo ou pânico. Basta que a Igreja reafirme tratar-se de uma obra de ficção que desrespeita a fé cristã. Essa onda passará como tantas outras, registradas pela história, já passaram e a Igreja e seu fundador, Jesus Cristo, permanecerão incólumes.
     Todos estes fatos me reportam àquela passagem de São João em que Cristo lembra aos discípulos que eles não são do mundo, mas estão no mundo. Na oração, Cristo pede ao Pai não que tire seus discípulos do mundo, mas que os guarde do maligno (Jo 17,15). Num mundo tão plural como o nosso, é preciso saber viver em meio a tudo isso sem deixar que isso nos ofenda. O que não significa, em absoluto, uma aceitação passiva do que nos ofende naquilo que temos de mais sagrado que é a nossa fé.
     A fé cristã se consolidou ao longo dos séculos. Se tantas heresias e erros humanos não a abalaram em dois mil anos, por que tanto alarde com mais um livro e um filme? Não há pecado em ler o livro ou assistir ao filme. Eis o código da fé que vence o Código Da Vinci: crer no ressuscitado, o Filho de Deus, redentor do mundo. Não precisa de mais nada.

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