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Protagonismo
juvenil
Pe.
Geraldo Martins
A juventude sempre se constituiu
num grande desafio à Igreja, mesmo considerando que, na
sua história de mais de dois mil anos, haja inúmeros
testemunhos de jovens que deram sua vida por causa do evangelho.
Maioria na América Latina, os jovens têm sido objeto
de preocupação da Igreja que os vê cada vez
mais longe de si e dos compromissos com a fé. Em 1979,
na Conferência dos Bispos da América Latina em Puebla,
México, a Igreja fez, juntamente com a histórica
opção preferencial pelos pobres, a opção
preferencial pelos jovens. Aquela acabou por obinubilar esta de
modo que os jovens não foram nem opção nem
preferencial desde então, apesar de esforços aqui
e acolá.
No Brasil, a Pastoral da Juventude
veio com o compromisso de falar ao jovem a linguagem do compromisso
social da fé. A metodologia do ver, julgar, agir, subtraída
da Ação Católica, remonta ao sucesso da JAC,
JEC, JIC, JOC, JUC, famosas nos anos de 1960, quando levaram
inúmeros jovens a canalizarem para dentro dos grupos jovens
seus ideais político-religiosos de liberdade e de justiça.
Reunindo sempre um número
menor do que pretendia, a PJ sabe que é impossível
enquadrar todos os jovens num mesmo esquema. A pluralidade que
caracteriza os tempos atuais exige a versatilidade da criatividade
para se chegar ao jovem levando-o a um compromisso autêntico
da fé. É inevitável sua integração
com outros movimentos juvenis de cunho marcadamente espiritualista
e intimista, baseado numa fé que dispensa racionalidade
e engajamento sócio-transformador. Como fazer essa integração
é que são elas.
Os vários esforços
que a Pastoral da Juventude tem feito para vencer o desafio devem
merecer o apoio de toda a Igreja. Sua constante preocupação
com a formação integral dos jovens, baseada nos
valores humanos, cristãos e éticos, deve ser levada
a sério por toda a comunidade cristã. Seu desejo
de tornar o jovem protagonista de tudo isso e também das
lutas eclesiais e sociais na construção do Reino
já aqui na temporalidade deste mundo não pode ser
negligenciado pelos cristãos adultos. Para se alcançar
esse objetivo, no entanto, é preciso haver um esforço
concentrado de todos para vencer o que Bento XVI chamou de “ditadura
do relativismo”.
O Seminário da PJ que acontece
no final deste mês de julho em Barbacena, com a pretensão
de reunir entre 100 e 150 jovens, deve receber o aplauso e o apoio
de todos os padres da Região Sul. Pensado e organizado
pelos próprios jovens, o Seminário é mais
um passo para se firmar o buscado protagonismo juvenil na Igreja
e na sociedade. No dia em que todos vencerem o medo e confiar
nas potencialidades dos jovens, assimilando seu jeito próprio
de ser, de se comunicar e de viver a fé, então,
seu protagonismo aflorará, sua força se evidenciará
e surgirá uma nova sociedade, calcada na verdade, na transparência
e na solidariedade.
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