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Davi X Golias

Pe. Geraldo Martins

     Em Minas Gerais, dados do Movimento dos Atingidos por Barragens dão conta de que a energia elétrica para pelos consumidores comuns está entre as mais caras do país enquanto as indústrias pagam um preço bem menor. Segundo o Movimento, o imposto da tarifa de energia em Minas Gerais é de 30%. Afirma que as empresas consomem muito mais energia e pagam um preço menor por conta dos subsídios do governo. Já a população consome menos e paga mais. Informa que, embora seja estatal, a Cemig é 76% privada e que 59% da energia da Cemig vão para as indústrias ao preço de R$ 66 o megawatts (para os consumidores livres). Apenas 17% da energia vão para as famílias, por um preço que pode chegar até a R$ 620 o megawatt, o equivalente a 10 vezes mais que as empresas mais ricas do Estado.
     De acordo com o MAB, a CEMIG teve, em 2005, um lucro de 2 bilhões de reais. Essa realidade fez com que o Movimento iniciasse uma luta pela redução da taxa de energia elétrica em Minas Gerais e no Brasil.
Assim, o Movimento está reivindicando a gratuidade de energia elétrica para as para famílias de baixa renda que usam até 100 kilowatt; a igualdade de preço da energia entre grandes indústrias e famílias, isso significa diminuir em mais de 5 vezes o valor da tarifa atual, o cumprimento imediato da decisão judicial que dá direito à tarifa social para aqueles que consumirem até 200 kwh/mês.
     Aos poucos, a luta vai ganhando adesão de outros segmentos da sociedade que têm, em primeiro lugar, procurado conscientizar a população sobre essa diferença e o quanto ela pesa no bolso do consumidor comum. O apoio tem vindo de parlamentares, Igrejas e ONGs que perceberam o quanto isso tem prejudicado a vida do povo.
     Em Barbacena, a luta está sendo assumida pela Comissão de Direitos Humanos e Ética (CODHE) que planeja organizar uma audiência pública para debater o assunto. O objetivo é colocar a CEMIG frente a frente com a população a fim de que explique essa diferença abissal entre os preços da energia de uso familiar e industrial. Ao mesmo tempo, a Comissão reivindicará a redução desse preço a fim de que as famílias não paguem tão caro e que os mais pobres seja isentos da taxa quando consumirem até 100 kilowatt.
     À primeira vista muitos podem julgar que esta será uma luta vencida. Evoca a luta de Davi contra Golias. No entanto, tudo dependerá de como a população receberá e participará dessa luta. Mais uma vez, os movimentos sociais são provados na sua capacidade de mobilizar a sociedade em torno de um ideal comum e de conscientizá-la, pela argumentação, da injustiça de que é vítima.
     Defensora dos direitos humanos e da justiça social, a Igreja tem um papel fundamental nessa luta. Os cristãos, sobretudo os de linha de frente, os ministros da eucaristia, catequistas, membros das várias pastorais e associações religiosas, guiados por seus pastores, têm o dever, moral e evangélico, de empunhar essa bandeira que significa mais vida, sobretudo, para os mais pobres. Com a adesão de todos, Davi pode vencer Golias. É só acreditar, afinal, Deus está sempre do lado do que é justo e ético. É Ele mesmo quem conduz os que defendem a vida e não os deixa conhecer a derrota. Basta acreditar e sair a campo.


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