FESTA
DE NOSSA SENHORA DO CARMO – 2008
Mariana
se enche de júbilo ao celebrar a festa
de sua Padroeira, Nossa Senhora do Carmo. Bela
foi a iniciativa de fazer coincidir o Dia de
Mariana com o dia de Minas Gerais, uma vez que
nestas plagas encontra-se o berço de
nosso Estado. Mariana pode se ufanar de ser
a primeira sede episcopal estabelecida em Minas
Gerais. Daqui, sob o olhar materno da Virgem
do Carmo, irradiou-se a luz da fé que
nutre a profunda religiosidade do povo mineiro.
Com
os olhos e o coração voltados
para o alto, festejamos a Santíssima
Virgem, invocada com esse título tão
querido de NOSSA SENHORA DO CARMO. Diz o chamado
Livro das Instituições dos primeiros
monges carmelitanos: “Em lembrança
da visão que mostrou ao profeta Elias
a vinda da Santa Virgem sob a figura de uma
pequena nuvem que saía da terra e se
dirigia para o Carmelo (cf.1 Rs 18,20-45), os
monges, no ano 93 da Encarnação
do Filho de Deus, destruíram sua antiga
casa e construíram uma capela sobre o
monte Carmelo, perto da fonte de Elias, em honra
desta primeira Virgem voltada para Deus”.
Expulsos daí pelos sarracenos, no século
XIII, os monges que haviam recebido de Santo
Alberto, Patriarca de Jerusalém, uma
regra aprovada em 1226 pelo Papa Honório
III, se voltaram para o Ocidente e aí
fundaram vários mosteiros, superando
muitas dificuldades, nas quais, porém,
puderam experimentar a proteção
da Virgem Maria.
Nesta
festa carmelitana, não podemos deixar
de recordar que, ao monge São Simão
Stock, enquanto rezava, apareceu a Mãe
de Deus, acompanhada de uma multidão
de anjos, segurando nas mãos o escapulário,
que é um símbolo da proteção
materna de Maria.
Esta
celebração litúrgica remete-nos
pois ao Monte Carmelo, que nos recorda a herança
espiritual do Profeta Elias, onde já
no século XII, alguns eremitas se estabeleceram
e aí constituíram uma Ordem Religiosa
a fim de se dedicar ao louvor de Deus sob o
patrocínio da Santíssima Virgem
Maria.
No
evangelho há pouco proclamado, nós
ouvimos: “enquanto Jesus estava falando
às multidões, sua mãe e
seus irmãos ficaram do lado de fora,
procurando falar com ele” (Mt 12,46).
A palavra “irmãos” se interpreta
corretamente como “parentes”, pois
Maria não teve outros filhos. Se Maria
tivesse tido outros filhos, certamente eles
seriam mencionados no Novo Testamento ou em
outra fonte da tradição primitiva.
Esses parentes de Jesus, que com muita probabilidade
vinham de Nazaré, devem ter pensado que
Jesus estivesse se comportando de maneira imprudente.
Talvez as hostilidades dos fariseus devem ter
levado os parentes de Jesus a querer ajudá-lo
a sair de uma situação de crescente
perigo. A interrogação de Jesus
“quem é minha mãe e quem
são meus irmãos? (Mt 12, 48) parece
excessivamente dura. Entretanto, Jesus mostra
que a nova comunidade que ele cria ao seu redor
não se constitui a partir das ligações
de parentesco. É evidente que Jesus não
renega os laços de sangue, mas eleva
a uma intimidade de parentesco todos aqueles
que crêem nele. Até mesmo os seus
parentes se excluem automaticamente dessa nova
comunidade se não crerem nele. Porém,
pelo senso de justiça, em relação
aos seus parentes, não se pode deduzir
que eles não acreditassem em Jesus.
Aliás,
as palavras “eis minha mãe e meus
irmãos. Pois todo aquele que faz a vontade
do meu Pai, que está nos céus,
esse é meu irmão, minha irmã
e minha mãe” (Mt 12, 50) são,
na verdade, um grande elogio que se aplica plenamente
a Maria sua Mãe. Nenhum ser humano se
compara a Maria na acolhida e realização
da vontade do Pai. Diante da mensagem do Arcanjo
Gabriel que lhe anuncia a escolha para ser a
Mãe do Salvador, foi pronta e imediata
a resposta da Virgem de Nazaré: “Eu
sou a serva do Senhor; faça-se em mim,
segundo a tua palavra” (Lc 1, 38). Por
isso ela recebeu de Isabel o grande elogio:
“Bem-aventurada és tu que creste
que se cumpririam as coisas que te foram ditas
da parte do Senhor” (Lc 1,45).
Nesta
solene celebração, pedimos emprestadas
a São Cirilo de Alexandria as palavras
que pronunciou em sua homilia no Concílio
de Éfeso: “Salve, ó Maria,
tu que trouxeste em teu sagrado seio virginal
o Imenso e Incompreensível; por ti, é
glorificada e adorada a Santíssima Trindade;
por ti, se festeja e é adorada no universo
a cruz preciosa; por ti, exultam os céus;
por ti, se alegram os anjos e arcanjos; por
ti, são postos em fuga os demônios;
por ti, cai do céu o diabo tentador;
por ti, é elevada ao céu a criatura
decaída; por ti, todo o gênero
humano, sujeito à insensatez dos ídolos,
chega ao conhecimento da verdade; por ti, o
santo batismo purifica os que crêem; por
ti, recebemos o óleo da alegria; por
ti, são fundadas igrejas em toda a terra;
por ti, as nações são conduzidas
à conversão.
E
que mais direi? Por Maria, o Filho Unigênito
de Deus veio iluminar os que jazem nas trevas
e nas sobras da morte (Lc 1,77) /.../. Quem
dentre os homens é capaz de celebrar
dignamente a Maria, merecedora de todo louvor?
Ela é mãe e virgem. Que coisa
admirável!
Eis
que tudo exulta de alegria! Reverenciemos e
adoremos a divina Unidade, com santo temor adoremos
a indivisível Trindade, ao celebrar com
louvores a sempre Virgem Maria”! (LH,
vol. III, p. 1471).
Amém!







Dom
Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo Metropolitano de Mariana