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Os
Valores Éticos e Políticos na Cultura Pós-Moderna
O tema que procuramos desenvolver tem como pressuposto
a crise dos valores éticos e políticos que norteiam
a cultura pós-moderna, sendo esta uma questão pertinente
e passiva de ser discutida pelas diferentes correntes sociais que
atuam em nossa cultura. A razão pela qual apresentamos esta
problemática tem como objetivo encontrar um possível
caminho que resgate os valores decadentes da nossa cultura, sendo
eles éticos e políticos.
Para falarmos dos valores no âmbito
cultural, façamos jus ao pensamento Hegeliano que em sua
filosofia estabeleceu o chamado ‘trabalho intelectual’. Nesta ótica
propomos um raciocínio lógico das idéias que
construímos sobre os valores da nossa cultura. Como estamos
falando de valores éticos e políticos na cultura pós-moderna,
entendemos que primeiro devemos partir de dados empíricos,
tendo em vista a questão dos valores e como eles são
vividos no espaço cultural. Num segundo momento devemos expressar
com clareza os conceitos que empregamos. Em última análise,
em que sentido os empregamos?
A racionalidade que sugerimos como
caminho para a compreensão da realidade ética e política
atual não pode ser outra, senão a crítica.
Assim sendo, atingimos um novo modo de pensar, de avaliar e sobretudo
de filosofar.
Nesta perspectiva falamos da cultura
pós-moderna que se encontra mergulhada na decadência
dos valores. O principal responsável por essa tragicidade
é o homem, enquanto ser que constrói um sistema neo-liberalista,
onde o capitalismo se torna sinônimo de avanço, de
progresso tecnológico, aquele que dita as leis de mercado
fazendo do mundo um espaço globalizado. Logo, este regime
visa um acumulo de bens, de concentração de riquezas
e poder nas mãos de poucos. Isso causa uma desigualdade social
onde o princípio fundamental de humanidade, a vida, enquanto
essência do ser que constitui a historicidade do humano esta
sendo desvalorizada.
Diante de tal evidência voltamos
nossos olhares para a política brasileira, onde é
visível a crise dos valores que rege o princípio de
governabilidade de uma nação. Aqueles que escolhemos
para o exercício da democracia representativa não
se interessam mais por cidadania, apesar de ser sua função
elaborar normas e princípios que estabelecem a soberania
da arte de governar, enquanto pessoas humanas que estão a
serviço da vida.
Não obstante, os políticos
devem legislar em busca do bem comum, transcendendo as diretrizes
partidárias, o espaço de oposicionista e de governista
em prol de uma nação onde todos possam ter uma vida
digna. Assim sendo, estamos aplicando o real sentido de qualquer
ação política.
Por isso faz-se necessário
aqui confrontarmos a política que os gregos exerceram na
‘polis’ com a realidade atual. Na Grécia, berço da
civilização, os cidadãos participavam intensamente
da vida da ‘polis’, porque tinham consciência de que eram
por pouco tempo que exerceriam a função de governar.
Porém eram poucos os que podiam participar da governabilidade
da ‘polis’, através de uma democracia direta.
Em se tratando da realidade atual,
a arte de governar consiste numa participação pequena
dos cidadãos na vida pública. Porém falamos
em uma cidadania ampla onde todos podem com o seu voto participar
indiretamente da governabilidade da nação, porque
o regime que praticamos é o da democracia representativa.
O caminho que propomos para superar
a crise dos valores éticos nas ações políticas,
passa por uma releitura da participação dos cidadãos
na vida pública em sua origem grega, realizando um confronto
com a realidade atual. Porque é importante para nós
hoje termos como parâmetro a participação intensa
dos gregos na vida da ‘polis’, devido a razão de estarmos
inseridos em um regime onde a democracia é representativa.
Precisamos suscitar nos cidadãos
da atualidade a motivação, desejos de lutar por uma
sociedade, onde a ética enquanto valor construído
historicamente possa fazer parte da política, tendo em vista
o exercício da governabilidade que abrange a cidadania através
de uma democracia participativa.
Assim sendo, tanto os direitos quantos
os deveres do cidadão se baseiam em última análise,
na dignidade do ser humano. Nesta circunstância a ética
e a política se constróem numa relação
de deveres fundamentais que se aplicam a todos os homens, sendo
eles o respeito pela vida, justiça e solidariedade, veracidade
e tolerância entre as nações, respeito mútuo
e companheirismo de homem e mulher.
Nesta perspectiva a cultura pós-moderna
pressupõe uma ação política do consenso
social em torno de determinados valores, direitos e deveres fundamentais
à vida humana. Que podem e devem ser sustentado por todos
os grupos da sociedade, sejam eles adeptos de uma crença
ou não, independentemente de sua religião, filosofia
ou ideologia. Porque no exercício da cidadania faz-se necessário
consenso de valores e critérios, de direitos e deveres que
superem a crise dos valores éticos e políticos na
cultura pós-moderna
Adinilson
Francisco de Paula