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Avaliar é preciso

       Em todo trabalho que se preze, avaliar é preciso. Não há como planejar algo novo sem antes olhar para trás e fazer aquelas perguntas fundamentais de qualquer avaliação: O que foi bom? O que não foi bom? O que podia ser melhor? Entretanto, sabemos que nem sempre é um momento que agrada. Talvez seja porque ao avaliar um processo, as pessoas envolvidas sentem o ego ferido diante de uma constatação de que uma função desempenhada por ela não foi boa ou poderia ser melhor. Por isso, poderíamos dizer que avaliar nem sempre é algo agradável. Além do mais, por parecer que está no final de tudo, nem sempre se consegue ter energia suficiente para viver bem este momento. Gastamos nossas forças no planejamento e execução, e quando é hora de avaliar “o tanque está vazio”.
       Mas qual seria a conseqüência de não avaliar com seriedade? Basta olharmos ao redor e veremos. Projetos e mais projetos pastorais, planos e mais planos, papel e mais papel. E o que tem ficado de tudo isso? Lembro-me, por exemplo, do ano da juventude. Quando foi que aconteceu? O que mudou na vida das nossas paróquias e comunidades? Nossos conselhos paroquiais se comprometeram com a juventude? E os padres? Será que se abriram mais à juventude? Acredito que não. E isso não é pessimismo, é apenas uma constatação.
       E qual o motivo desse assunto? No final de novembro, a equipe central da pastoral da juventude se reuniu em Barbacena, na paróquia São José, para avaliar os trabalhos realizados durante o ano. Tive a oportunidade de acompanhar todo o processo. Antes da reunião, havia muita apreensão. Todos sabiam que era um momento importante e que muitas coisas deveriam “vir à tona”. Confesso que fiquei surpreendido com tudo o que foi vivido naqueles dois dias. Como foi interessante acompanhar e participar daquele momento. Para quem gosta de dizer que jovem não quer nada com a vida, não quer nada com a Igreja, teria sido interessante presenciar aquele momento. Vale a pena ressaltar alguns aspectos.
       Em primeiro lugar, a forma como a avaliação foi preparada. Na verdade, a reunião começou antes da reunião. Através de telefonemas, e-mails e outros meios de comunicação que a nossa juventude cria, a pauta da reunião foi formada. E não foi apenas uma pauta. Foi uma pauta pensada, conversada, organizada. Os secretários articularam e organizaram bem o trabalho. Como seria bom se as nossas secretarias pastorais fossem assim!
       Um outro aspecto, e talvez este seja central, foi o grau de maturidade daqueles jovens que ali estavam, expresso em diversas atitudes: pontualidade, organização, responsabilidade. Só para se ter uma idéia: começamos a reunião por volta das 9 horas do sábado e fomos até às 11 da noite, parando apenas para o almoço e um cafezinho da tarde. Mas não foi só isso. Depois de todo esse tempo, o pessoal ainda teve forças para jogar boliche e no outro dia levantar cedo para continuar os trabalhos. É verdade que poderíamos argumentar: mas jovem tem tempo, tem energia e, por isso, consegue ser assim. É verdade. Mas seria interessante completar a frase: a juventude tem tempo, tem energia e também tem maturidade. Fico a pensar: nossas coordenações pastorais possuem esse grau de maturidade? Aqui, o fundamental não é a questão do tempo, mas de como as coisas são feitas. Será que estamos avaliando os nossos trabalhos? Pelo que se observa por aí, ou o pessoal faz avaliação e não leva a sério o que foi avaliado ou então nem avaliação se faz.
       Há também uma outra coisa e que, penso eu, ajudou bastante: o carinho, o afeto, o cuidado. Saímos dali cansados, mas não machucados e nem magoados com ninguém. Coisas duras foram ditas, dedos foram colocados em feridas que sangraram e fizeram chorar. Aqui vale aquela palavra de Jesus: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Seria bom também se em nossas coordenações aquela mantra “onde reina o amor, fraterno amor, Deus aí está” se tornasse realidade.
       Mas não foi só a reunião de avaliação da equipe central que me chamou a atenção. No domingo também participei do encerramento das atividades do ano propedêutico, que tem a função de oferecer aos jovens que desejam ser padres um momento forte de vivência comunitária, além de os preparar, em todas as dimensões humanas, para os cursos de filosofia e teologia. Estavam ali quinze jovens. O mesmo número da equipe central. Enquanto agradeciam aos formadores, familiares e a eles mesmos fiquei pensando: pode ser que alguns cheguem ao ministério ordenado. Mas será que chegarão encantados com a juventude? Ou melhor, será que chegarão encantados com a sua própria juventude? Quem quiser e puder que responda.

Padre Wandinho


Atualizada em 11 de dezembro de 2006

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