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Dom Luciano e o Seminário São José

Pe. Lauro Sérgio Versiani Barbosa*
       Dom Luciano sempre manteve relações estreitas com o Seminário São José, considerando uma benção de Deus as numerosas vocações da Arquidiocese de Mariana e de outras dioceses que acorrem ao nosso Seminário. Habitualmente presidindo as reuniões da equipe de formadores, reestruturou o processo formativo, hoje compreendendo quatro etapas: Grupo de Orientação Vocacional (GOV), Propedêutico (Barbacena), Filosofia e Teologia (com as casas de formação em Mariana). Criou a Faculdade Arquidiocesana de Mariana (FAM), que possibilita o reconhecimento civil do trabalho acadêmico há tanto tempo desenvolvido no Seminário de Mariana (256 anos). Investiu na ampliação e enriquecimento de nossas bibliotecas e na capacitação dos formadores e docentes, através de cursos de pós-graduação e encontros formativos. Ocupou-se diretamente da formação dos seminaristas através de retiros, celebrações, encontros, palestras, conversas pessoais e encontros informais. Esforçava-se por conhecer pelo nome cada seminarista, interessando-se por todos. Se algum estava enfermo, dedicava-lhe atenção especial. Interessava-se pela organização das casas de formação em todas as suas dimensões: material, humana, acadêmica e espiritual. Confiava e valorizava a equipe de formadores. Foram numerosos os ritos de admissão, instituição de ministérios e ordenações diaconais e presbiterais sob a sua presidência ao longo destes 18 anos como Arcebispo de Mariana. Também era atencioso com os funcionários, que guardam dele as melhores lembranças.
       Dom Luciano nos transmitiu uma mensagem radical, profética, sobre o valor da vida de especial consagração a Deus. Sua própria formação foi marcada pela frase do Pe. Leonel Franca,SJ, citada pelo seu mestre de noviços: “Com Deus não se regateia! Quem não deu tudo, não deu nada!” Sempre quis que os seus seminaristas fossem formados para uma vida de doação generosa, cultivando a paixão por Deus e pelo povo, no seguimento de Jesus. Valorizava muito: a vida de oração, capaz de levar à crescente experiência do amor de Deus por nós, tendo a Eucaristia diária como fonte para o apostolado; o desapego e a simplicidade de vida; a disponibilidade para servir, com predileção pelos mais pobres e necessitados; a comunhão eclesial, na ação e no sentir, procurando amar e sentir com toda a Igreja. Via o celibato como ato de consagração, despojamento e solidariedade. Viveu e convidou a viver na coerência entre fé e vida. Deixou-nos uma imagem de Igreja ministerial e samaritana, a serviço do Reino de Deus, sem triunfalismos e disposta a carregar a cruz na configuração ao Senhor como serviço à vida e à esperança.
       Firme defensor da dignidade do ser humano, Dom Luciano identificava como desafios para a missão da Igreja em parceria com toda a sociedade: a injustiça social, a violência, a segregação social e cultural, a percepção do sentido da vida. Como problemas fundamentais do Brasil apontava: trabalho, saúde e educação, a questão da propriedade rural (lutou pela reforma agrária), a seca do Nordeste e os problemas das minorias. Defendeu o diálogo como caminho para a paz e o bem comum, a abertura de coração e o horizonte de eternidade da vida.
       Verdadeiramente Dom Luciano nos ensinou a servir por amor e nos orientou em nome de Jesus, conforme o seu lema episcopal: In nomine Iesu!


*Reitor do Seminário São José


Atualizada em 19 de setembro de 2006

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