Departamento Arquidiocesano de Comunicação da Arquidicoese de Mariana


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Servidor da Igreja e do Povo

       Na quarta feira passada demos o último adeus, em Mariana MG, a Dom Luciano Mendes de Almeida, durante a Missa que oferecemos por seu eterno repouso.
       Suas últimas palavras antes de entrar em coma foram: “Deus nos criou por amor, e Ele sabe o que é melhor para nós. Coloco minha vida em suas mãos”.
       No seu serviço à Igreja, Luciano Mendes, de família de tradição católica do Rio, nascido em 1930, contou com uma sólida formação de Jesuíta, Ordem em que se formou presbítero em 1958. Adquiriu sólida base filosófica, teológica e humanística. Doutorou-se em Filosofia tomista, na Universidade Gregoriana de Roma. Ainda ali, dedicou-se à pastoral carcerária.
       Chamado ao episcopado pelo Papa Paulo VI, Dom Luciano serviu a partir de 1976 na Região Belém, em S. Paulo, como bispo auxiliar do Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns. Em 1988 foi eleito para a Arquidiocese de Mariana, onde “Em nome de Jesus”, seu lema episcopal, se doou totalmente por dezoito anos e três meses, até a sua morte.
       Quem conviveu com ele, na CNBB e nas múltiplas atividades de seu ministério episcopal, tinha a clara impressão de estar diante de alguém totalmente impregnado de Deus, vivendo continuamente em Sua presença. Um místico em meio aos cuidados quotidianos, um contemplativo na ação.
       Na Eucaristia e em vigílias noturnas, Dom Luciano hauria forças para sua ação firme e incansável como bispo, como dirigente da CNBB e como defensor dos pobres. Seu zelo pela Igreja e pela humanidade alimentavam-se numa vida intensa de oração, em sua identificação afetiva com Jesus Cristo, na devoção a Maria, na caridade pastoral.            Membro da Direção da CNBB por dezesseis anos, Dom Luciano foi incansável promotor da unidade do episcopado e animador da renovação pastoral de nossa Igreja. Grande inspirador de iniciativas pastorais, fomentava o diálogo como forma de buscar o entendimento entre posições que poderiam parecer inconciliáveis.
       Seu segredo consistia em insistir na unidade em torno às coisas essenciais, fomentando o respeito às legítimas diferenças e praticando em tudo a caridade e o respeito mútuo. Tinha memória prodigiosa, recordando nomes de pessoas que há muito não encontrava. Todos se sentiam bem acolhidos por ele. Achava sempre algo de bom nas idéias do interlocutor, buscando valorizá-las.
       Homem das sínteses e das boas formulações, sabia articular uma multiplicidade de propostas e sugestões. Esse seu carisma foi muitas vezes decisivo na construção de textos e declarações, que marcaram profeticamente a Igreja, ainda durante o regime militar e nos grandes debates em defesa da vida, desde a sua concepção até a morte natural, a sua dignidade, a defesa da justiça e da paz, da conservação da natureza e do ambiente, da luta pela superação da miséria e a exclusão.
       Dom Luciano interessava-se por todas as questões que tocavam a fé, a vida, a saúde e bem comum, do Brasil e do mundo. Destaco alguns desses temas, verdadeiras paixões de seu coração de apóstolo.
       A primeira paixão eram os pobres, todos os pobres e sofridos, particularmente as crianças e os meninos e meninas de rua. Como Bispo auxiliar de S. Paulo, na Região Belém, organizou centenas de abrigos para menores e para moradores de rua. Não raro, saía de madrugada, recolhendo pequenos e mendigos, dialogando com eles e levando-os a um abrigo.
       Aliada a essa paixão e a serviço dela, Dom Luciano amava apaixonadamente a Igreja, um amor manifestado por uma fidelidade profunda e por vezes sofrida, devido a incompreensões, fraquezas e limitações humanas, próprias e alheias. Pôs seus carismas a serviço dessa Igreja, sendo presença freqüente e iluminadora em encontros e congressos, na orientação de retiros, ou mediando situações difíceis.            Outra paixão foi a comunicação e a evangelização pela mídia. Deve-se em boa parte a Dom Luciano a criação da primeira rede católica de TV, a Rede Vida, para cuja viabilização ele varou madrugadas e bateu em muitas portas. Achava incompreensível que a Igreja no Brasil não tivesse sua própria rede de TVs, ao lado de rádios e jornais. Desde 1983, D. Luciano mantinha uma coluna semanal na Folha de S. Paulo.
       Nos empenhos em que consumiu sua vida, D. Luciano manteve um modo de proceder invariável e que o tornou amado e admirado por todos que o conheceram: suave nas palavras, firme nos princípios, forte na ação.
       Assim queremos recordá-lo. Deus seja louvado pelo grande dom, para a Igreja e o mundo, que foi a vida e a ação de Dom Luciano Mendes de Almeida.

Dom Geraldo M. Agnelo
Cardeal Arcebispo de Salvador

Fonte: CNBB


Atualizada em 05 de setembro de 2006

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