Departamento Arquidiocesano de Comunicação da Arquidicoese de Mariana


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“ EU CONHEÇO UM SANTO ”

*José Gabriel Guimarães


        “Em que posso servi-lo”? Estas eram as primeiras palavras que D. Luciano Mendes de Almeida sempre pronunciava quando se dirigia às pessoas que o procuravam, ao mesmo tempo em que entrelaçava suas mãos, num significativo gesto de que estava realmente , em comunhão com aquela pessoa que estava ali na sua frente, pronto para ajudá-la no que fosse preciso. Esta é uma lembrança forte de todos aqueles que conviveram de perto com D. Luciano nestes 18 anos em que esteve à frente de nossa Arquidiocese de Mariana. D. Luciano jamais deixava de atender a todos que o procuravam.
        Tive a felicidade e o privilégio de poder desfrutar de sua amizade ao longo deste tempo.
        D. Luciano não tinha uma rotina a cumprir como práticamente todos nós a temos: hora para acordar, tomar café da manhã, almoçar, lanchar, jantar, dormir, etc. Isto não fazia parte de sua vida, não porque ele não o quisesse, mas por pura falta de tempo. Aliás, tempo para ele não fazia a menor diferença, não importava se era dia ou noite, se era de madrugada, se fazia calor ou frio, se estava com fome ou com sede. Isto podia esperar como dizia muitas vezes. Estava sempre disponível para o outro.
        Toda sua preocupação e seu tempo eram voltados para ajudar o próximo, especialmente aqueles mais necessitados, os desempregados, os presos, as pessoas sem casa, sem teto, sem terra, os índios e especialmente as crianças e os menores abandonados entregues a própria sorte. Dedicava atenção especial também com a formação dos sacerdotes.
        D. Luciano também era uma pessoa muito feliz, que irradiava muita luz e consequentemente era muito alegre.
        “Ele encherá de riso a sua boca e de brados de alegria os seus lábios. Seus inimigos se vestirão de vergonha e as tendas dos ímpios não mais existirão”, nos fala o livro de Jó sobre as promessas de Deus para aquele que tem sua vida marcada pela santidade e pela fidelidade a Deus.(Jó,8-21:22)

        Certa vez, durante um retiro, me pareceu que sentia frio. Ao sair dali pedi minha esposa que lhe comprasse um suéter de lã para presenteá-lo e assim o fiz. Ele agradeceu a minha preocupação com êle e que não me esquecesse de agradecer minha esposa Vânia, e assim que o vestiu abriu seu marcante sorriso e me perguntou se estava bonito e eu disse que estava muito bonito e protegido contra o frio daqueles dias. O vi vestindo o suéter uma vez mais somente. Certo dia em tom jocoso disse a Irmã Francisca, que também tinha com D. Luciano uma convivência diária, que achava que ele não tinha gostado do suéter, e ela também com um largo sorriso disse para não me preocupar, porque ele o tinha dado para o primeiro pobre que viu sentindo frio.
        Participei das homenagens e da despedida a D. Luciano durante dois dias e pude constatar o que já sabia, a sua predileção especial pelos desvalidos, pelos mais sofridos e mais necessitados. Foram dias de manifestação de muita fé, de muita oração, de muita emoção, de muitas lágrimas, mas também de demonstração de muito amor ao próximo e sobretudo dias de muito amor , de muita confiança e esperança em Deus.
        Ao retornar recebo um telefonema de minha filha adolescente dizendo que eu não ficasse muito triste porque eu sempre dizia em casa que D. Luciano era o único santo que eu conhecia, e já que ele era tão bom e santo, então eu devia estar feliz porque ele não estava sofrendo mais e os santos não podem sofrer.
Me veio então a interrogação: o que é Ser Santo?
Ser Santo é ter um coração puro e solidário, é ser companheiro e amigo, promovendo a partilha de tudo o que somos e o que temos?
Ser Santo é indignar-se e ser um incansável e corajoso guerreiro contra as injustiças sociais?
Ser Santo é acolher e perdoar a todos, sem discriminações?
Ser santo é amar ao próximo como a si mesmo, e até dar a própria vida, como nos ensina o evangelho?
Ser Santo é ser total desprendido e desapegado das coisas materiais, ser desprovido de vaidades?
Ser Santo é ser, muitas vezes, incompreendido em suas palavras e ações?
Ser Santo é ter permanentemente o reflexo de Deus espelhado em sua face?
Ser Santo é realizar milagres, aliviar o sofrimento e transformar a vida das pessoas?
Se ser Santo é tudo isso, então EU CONHEÇO UM SANTO que se chama LUCIANO PEDRO MENDES DE ALMEIDA.

*Médico
Coordenador da Pastoral da Criança e do Menor de Barbacena


Atualizada em 01 de setembro de 2006

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