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Emocionados, fiéis dão adeus ao seu pastor

Mariana acordou cedo
para se despedir dom Luciano. O sol começava a despontar
por entre as montanhas quando os sinos das igrejas históricas
dobraram pelo arcebispo. Os fiéis, aos milhares, acordaram
mais cedo para uma homenagem silenciosa. Na igreja de Nossa Senhora
do Carmo, era grande número de peregrinos que vieram de diversas
partes do Brasil.
De Ponte Nova saiu a
caravana que trouxe peregrinos como a dona Manoela da Costa Dias.
“Ele representava para nós a imagem da felicidade e da paz.
Iremos sentir muita saudade dele”, disse. A dona de casa Tereza
Faria de Godoy, de 77 anos, viajou horas de Viçosa para a
dar seu adeus ao arcebispo de Mariana. Ela diz que tem um motivo
especial para não esquecer de dom Luciano. “Tive a honra
de servir café para ele na minha cozinha”, disse.
A aposentada Maria Alves
Torres, 68 anos, veio de Raul Soares se despedir de dom Luciano.
“É uma enorme perda. Ele era um homem espetacular. Para a
nossa Igreja vai fazer muita falta. É uma pessoa que passava
coisa boa para gente”. Numa cena emocionante, o corpo do arcebispo
atravessou sob aplausos o mar de católicos que lotavam a
Praça da Sé.
Para Cibele Maria, de
52 anos, sair numa caravana, de Belo Horizonte, para dizer adeus
a dom Luciano não foi nenhum sacrifício. “É
por gratidão que nós estamos aqui”, afirmou. Ela lembrou
ainda que o arcebispo de Mariana era devoto de Nossa Senhora e por
isso a Legião de Maria não poderia deixar de render
homenagens ao grande pastor. “Agradeço as bênçãos
que ele nos deu em vida e as muitas mais que nos dará”, disse
Cibele.
Os fiéis retribuíram
a dedicação de dom Luciano. “Nós perdemos um
pai, um amigo, um porta-voz do pobre. Ele era o porta-voz de tudo
que se referia aos menos favorecidos. Ele era o pronto socorro da
Pastoral da Criança e estava presente nos momentos difíceis
socorrendo a pastoral nas dificuldades. Para mim, o sentimento é
de perda de um homem que era mais que um pai”, disse Dolores Moreira
Lopes, da Pastoral da Criança e do Menor, de Barbacena.
Maria de Fátima
de Casto é integrante da Pastoral da Criança, de Barbacena,
e se emocionou ao falar de dom Luciano. “Na arquidiocese, ele foi
a luz e ajudou tantas crianças a se recuperar. Ajudou a gente
a construir os conselhos que funcionam e fez com que as crianças
tenham os seus direitos garantidos”, citou a moradora.
Durante toda a vida,
dom Luciano esteve perto de seu rebanho, nas lutas sociais. Agora
é a vez de ser homenageado. Uma caravana do Movimento dos
Atingidos por Barragens (MAB) esteve na Praça da Sé
para se despedir do “companheiro de tantas lutas”. “A perda é
de um grande companheiro. A gente sempre lembrará dele nas
lutas. Sempre que a gente saía numa marcha ele dava nos dava
apoio. A luta continua. E espero que outros abracem a bandeira dele”,
disse Leandro Gonzaga, integrante do Movimento.
As homenagens partiram
também do Movimento dos Sem Terras (MST) que empunhou sua
tradicional bandeira vermelha, desta vez com a voz embargada pela
saudade e a perda de dom Luciano, um ativo defensor dos movimentos
sociais. “A morte de dom Luciano representa um desfalque grande.
Além dele ter sido um combatente pela redemocratização
do Brasil, foi um amigo próximo dos movimentos sociais. Espera-se
que os movimentos continuem avançando rumo aquilo que ele
quer: construir um país justo”, diz Edilei Cirilo da Silva,
do MST de Visconde do Rio Branco.
Colaborou:
Douglas Couto