Mande
notícias
EM
MEMÓRIA DE DOM LUCIANO
Artigo Paulo Evaristo*
“Por melhor que seja alguém,
chega o dia em que há de faltar”, assim canta o povo.
Assim também nos advertia Dom Luciano, em seus inesquecíveis
retiros.
Na hora em que o saudoso
irmão e colaborador mereceu dois terços dos votos
do episcopado para Presidente da CNBB (1987) nós sabíamos
que se encerrava uma grande fase de sua missão de Bispo.
Que estas singelas palavras de hoje possam traduzir a homenagem
e a gratidão mais profunda ao Senhor da História pelos
doze anos de ministério de Dom Luciano em São Paulo
e por tudo o que ele viria a empreender na fase seguinte.
Ordenado por mim em 2
de maio de 1976, ouso afirmar que Dom Luciano nasceu de fato como
Pastor para uma grande cidade. Para os padres e as religiosas da
Região Belém foi pai e amigo, em tempos sempre agitados,
como já eram naqueles anos os tempos de São Paulo.
As 50 e tantas paróquias existentes naquele momento se ampliaram
em mais de uma centena de centros comunitários, graças
ao dinamismo dos padres, à contribuição generosa
das irmãs e dos ministros leigos, sempre animados pela presença
dedicada do nosso Bispo jesuíta. O milagre da comunhão
produziu o Pentecostes da missão. Igreja unida e missionária!
Todos os que conheciam
de perto a Dom Luciano eram unânimes em dizer que o Pastor
não dormia à noite, para que os colaboradores, os
doentes, os pobres e os machucados se fortalecessem por sua oração
e vigilância. Assim, aqueles doze abençoados anos em
que trabalhou conosco passaram como um sonho.
Quando ele partiu para
Mariana, prosseguimos lembrando a exortação que nos
deixou a sermos missionários, sempre em disponibilidade ao
menor aceno do alto. Juntamente com os outros dez Bispos seus colegas
de São Paulo evocávamos seu carinho e fineza, sua
inteligência e vivacidade, sua lógica e expressão
fluente, que constituíram a prova mais pura do amor fraterno.
Dentre as muitas qualidades excepcionais que Dom Luciano apresentava,
a que mais nos cativou foi a da colegialidade indefectível.
Dom Luciano viveu para a cidade de São Paulo toda inteira
através de seu amor aos menores abandonados e ao “enxame”
de pobres, os únicos que sempre sabiam onde encontrá-lo.
As organizações em prol dos excluídos da sociedade
criaram raízes em toda a cidade e em outras partes do país.
A Igreja de São
Paulo, de Mariana e do Brasil jamais esquecerão a figura
– certamente das mais marcantes de nosso episcopado – que de nós
se despede e que por todos intercede no Céu.
São Paulo, 28 de agosto de 2006
*Cardeal
Arns, Arc.Emérito de SP