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QUERIDO
DOM LUCIANO
Amigo e companheiro, pastor e profeta,
talvez o silêncio, respeitoso e reverente,
seja a homenagem mais apropriada
para relembrar a tua presença tão querida entre nós
e para celebrar a tua partida para a Casa do Pai.
Só ele, o silêncio respeitoso e reverente,
será capaz de expressar, ao mesmo tempo,
tua energia profética e tua doce ternura.
Sinto que as palavras, quaisquer palavras,
estão muito aquém desse mistério
que é o dom de tua vocação e tua entrega;
noto que elas, as palavras, quaisquer palavras,
mais escondem do que revelam
a força incontida de tua ação missionária.
Como
descrever esse coração paterno e materno,
em que todos se sentiam em sua própria casa?
Como falar desse olhar alegre, vivo e atento
reflexo de uma alma onde a paz encontrou morada?
Como fazer justiça a esse sorriso afável e aberto,
que a nada e a ninguém deixava do lado de fora?
Que dizer dessa inteligência arguta e lúcida,
luz viva em meio à escuridão de nosso tempo?
De que forma traduzir a habilidade dessas mãos incansáveis,
capazes de transfigurar o que tocavam e acariciavam?
Com que cores pintar essa imagem simples e profunda
que a exemplo do Mestre “passou pelo mundo fazendo o bem”?
As
palavras, quaisquer palavras, são pequenas diante de tua
grandeza,
não dão conta de explicar os segredos ocultos de tua
sabedoria.
Homem de Deus, homem da Igreja, homem do Mundo,
pastor e pai dos pobres, dos pequenos, dos indefesos;
amigo e companheiro de todas as vidas ameaçadas,
voz profética dos silenciados de todos os tempos
presença fiel ao lado das vítimas da história.
Mesmo
assim, não resisto à vontade de dizer-te “adeus”!
e a todos dizer que partes, mas ficas para sempre entre nós:
a “Casa do Pai” é tua morada definitiva e eterna,
porque a ela encaminhaste tantos os corações que se
haviam perdido;
mas nenhum vento ou tempestade poderá jamais apagar
as pegadas de teus passos na face desta terra que tanto amaste;
tua memória será luz e m nossos caminhos,
como o foram teu testemunho, tuas obras e tuas palavras.
Não,
as palavras não alcançam tudo o que quero dizer,
mal conseguem esboçar os contornos de tua imagem!
Por isso volto ao silêncio respeitoso e reverente.
Pe. Alfredo J. Gonçalves,
CS
Ciudad del Este, Py, 28 de agosto de 2006