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HOMENAGENS
A DOM LUCIANO
Côn.
José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Pranteia o Brasil e toda a Igreja o falecimento
de um dos evangelizadores mais extraordinários já
surgidos na História. Não seria exagero dizer que
a humanidade perdeu um gênio e esta terra a presença
de um daqueles que honraram o ser racional pela sua perfeição
existencial. Inteligência privilegiada, tudo que falava ou
escrevia tinha um sentido profundo, repleto de mensagens fulgurantes.
Cabe a este denodado
Apóstolo o título de cidadão do mundo, não
apenas por ter percorrido, em suas atividades missionárias,
quase todos os países dos diversos continentes, como ainda
pela marca que deixou na alma de milhares de pessoas com as quais
se encontrou nos caminhos deste planeta. Uma das provas disto foi
a comoção mundial que sua enfermidade causou, sendo
que a Cúria Metropolitana de Mariana recebeu mensagens de
todas as partes do exterior e dos diversos.estados do Brasil. Caracterizou
D. Luciano uma bondade irradiante e um interesse pelo bem-estar
espiritual e material do ser humano.
Foi um humanista na
plenitude do termo. Epígono de Santo Inácio de Loyola
viveu inteiramente o ideal dos jesuítas. Ao ensejo de sua
doença as Irmãs Alcantarinas do Estado de São
Paulo, dia 11 de agosto, numa nota de solidariedade à Arquidiocese
de Mariana assim se expressaram:“Dom Luciano, para a Igreja, é
o Profeta dos Novos Tempos. Para a Vida Religiosa Consagrada, é
TESTEMUNHA, PROFECIA e ESPERANÇA.
Sempre amou a Vida Consagrada;
mesmo enquanto bispo, não deixou de ser Religioso Jesuíta”.
Carioca de nascimento (5.10.1930, nasceu no seio de uma nobre família
sendo seus pais Cândido Mendes de Almeida e Emília
Mello Vieira Mendes de Almeida. Após estudar em Nova Friburgo
(1951-1953), foi para Roma onde fez o Curso de Teologia (1955-1958)
e doutorou-se em Filosofia (1965). No ano de 1976 foi sagrado Bispo
no dia 2 de maio. Colocou seu talento a serviço do Evangelho,
tendo sido Secretário Geral da CNBB (1979-1987) e Presidente
da mesma (1987-1994). Desde 1987 foi membro do Conselho Permanente
do Sínodo Episcopal e, desde 1992, da Pontifícia Comissão
de Justiça e Paz. Foi Vice-Presidente do Conselho Episcopal
Latino-Americano (1955-1998).
Seu pastoreio episcopal
se iniciou como Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo
na região Leste I (1976-1988) e, entre tantas obras realizadas,
se destaque o seu cuidado e desvelo para com os marginalizados,
fazendo-se, como São Paulo, tudo para todos para a todos
salvar. Depois de tantos labores foi elevado a Arcebispo Metropolitano
de Mariana e o na alheta de seus gloriosos antecessores muitíssimo
honrou o Áureo Trono Episcopal da circunscrição
Primaz das Minas Gerais. Impulsionou a Pastoral Arquidiocesana em
todos os sentidos.
O Clero marianense e
o todo o Povo de Deus viu nele sempre um Pai amoroso, um Mestre
admirável, um Pastor desvelado e no final do século
XX e neste início de milênio ninguém faria mais
do que ele realizou. Percorreu toda as Paróquias deixando
após si um rastro de otimismo e de espiritualidade que prosseguirão
através dos tempos. Iluminou este mundo, vivendo o significado
sublime de seu nome que há de ser sempre glorificado, dado
que não se apaga nunca a memória dos grandes homens.
Este gigante da evangelização ao penetrar na Casa
do Pai coberto de tantos merecimentos é mais um poderoso
protetor de todos que o invocarem e, sobretudo, o imitarem no labor
apostólico a favor do Reino de Deus.
Os méritos de
D. Luciano hão de permanecer sempre recordados, rutilando
cada vez mais, porque o seu ardor pelo bem, a consistência
da sua têmpera, a fibra do seu coração, a magnitude
de sua cultura, a irradiação de sua santidade brilharão
não apenas no espírito dos que tiveram a dita de o
conhecer , mas ainda no daqueles que ouvirão falar de seus
feitos adamantinos. No vasto catálogo dos grandes vultos
do cristianismo já está definitivamente inscrito o
nome glorioso de D. Luciano.
*
Professor no Seminário de Mariana - MG