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Referendo: Use a cabeça!

Dom Demétrio Valentini

         Neste domingo se realiza o referendo sobre o comércio de armas. A questão é bem específica e concreta: deve-se proibir, ou não, o comércio de armas e munições no Brasil?
        Quem está a favor desta proibição vota SIM, quem está contra esta proibição vota NÃO.
        A experiência ensina que nas conversas cotidianas tanto o sim, como o não, nada dizem por si próprios. Seu significado depende do contexto em que são usados.
        Esta constatação já serve de primeira advertência: precisamos saber o que significa o SIM, e o que significa o NÃO, no contexto deste referendo. Para não acontecer de votar o contrário do que queremos.
        Mas não é só isto que merece nossa atenção. E' preciso pensar no significado mais amplo que está embutido neste referendo. O que está em causa não é só o comércio de armas.
        Na verdade, o que está em causa é a segurança. Nisto todos concordam. A discordância está nos meios de garantir a segurança.
        Somos pouco habituados a referendos. Eles têm o valor de levar os eleitores a refletir sobre questões vitais para, em conseqüência, assumir posições, que acabam fortalecendo consensos.
        Aí entra outra reflexão, que julgo importante para formar nossa opinião neste referendo. A segurança é, em primeiro lugar, um direito coletivo. Claro que é também um direito singular. Mas o direito pessoal precisa encontrar respaldo, garantia e racionalidade no direito coletivo. A proibição do comércio de armas se insere dentro das providências para fortalecer o direito coletivo à segurança.
        O argumento mais usado por quem está propondo o NÃO neste referendo é advogar o uso pessoal de armas em defesa de si próprio e de sua família, como decorrência do direito pessoal à segurança.
        Porém, se este direito pessoal esquece o direito coletivo à segurança, ou não o valoriza, se instala o clima de insegurança, de guerra de todos contra todos. E assim, em vez de aumentar a segurança, ela diminui. Pois ela fica exposta ao arbítrio de cada cidadão, ignorando as funções do Estado.
        Como estamos pouco habituados a referendos, de antemão é preciso precaver-nos do seu resultado. Ele não pode significar a cisão da sociedade brasileira, já abalada por tantos episódios de insegurança.
        Independente do resultado, ganhando o SIM ou ganhando o NÃO, é preciso que ganhe a causa da segurança. Ela permanece em aberto. E' tão ampla, que não pode ser resolvida por um referendo. Mas se o referendo não significa uma solução, ele deve significar um avanço. E aí, de novo, vale a pena os eleitores se perguntarem: qual a opção que mais permite avanços?
        Para responder a esta questão, nada melhor do que usar a cabeça, não deixando que os marqueteiros nos façam a cabeça!
        Neste referendo não pode haver nem vencidos nem vencedores. Ele deve significar um passo positivo para termos um país mais atento à segurança coletiva. E' por isto que vale a pena apostar na proibição do comércio de armas. Vou votar SIM!

Fontes: (www.diocesedejales.org.br / CNBB)


Atualizada em 21 de outubro de 2005

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