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Mensagem do presidente da República aos bispos
Terça-feira, 09 de agosto de 2005

Mensagem do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva
ao presidente da CNBB e todos os Bispos

A Sua Eminência Cardeal Geraldo Majella Agnelo
DD. Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

Meu Prezado Dom Geraldo Majella,

      Tomo a liberdade de lhe escrever esta mensagem por ocasião da abertura de mais esta Assembléia Geral da CNBB. Dirigindo-me à sua pessoa, quero dirigir-me a todos os Senhores Bispos, Arcebispos e Cardeais que compõem a Igreja Católica no Brasil.
      Em primeiro lugar quero desejar pleno êxito a esta Assembléia em Itaici. Como em tantas outras oportunidades da História recente do nosso País, as decisões e orientações da Assembléia da CNBB têm sido referências fundamentais para a formação espiritual, ética e política do povo brasileiro.
      Esta Assembléia ocorre num momento muito particular de nosso País, em que uma crise política nos atinge fortemente. Quero, com toda a franqueza, afirmar-lhe que tenho plena noção da gravidade do processo que estamos vivendo e de como ele precisa ser superado para que o País retome sua vida normal de desenvolvimento e inclusão social. Reafirmo que minha determinação tem sido no sentido de que todos os erros e desvios devam ser apurados e punidos, doa a quem doer. Naquilo que é papel e função do poder Executivo, todo o rigor de combate a qualquer tipo de corrupção, deverá ter continuidade. Como os dados podem demonstrar, nunca na história desse País a Polícia Federal teve atuação tão incisiva,assim como a Controladoria Geral da União. Na mesma perspectiva, espero que os processos nas demais esferas de poder tenham um desfecho breve, maduro e conseqüente. Tenho, sinceramente, a esperança de que este seja um processo purificador para a vida política do País e para a afirmação dos princípios democráticos e dos valores republicanos. Tenho a consciência de que não podemos frustrar as expectativas de nossa gente, particularmente dos mais pobres.
      Ao mesmo tempo, Dom Geraldo, tenho envidado todos os esforços para que a crise política não paralise nosso Governo e nosso País. O que tem sido interpretado, muitas vezes maldosamente como antecipação de campanha eleitoral é justamente um empenho do Governo para sinalizar à sociedade brasileira que o País continua crescendo e que deve continuar a se desenvolver de forma sustentável. Nesta perspectiva, continuarei a andar pelo País, animando nossa gente e celebrando como vitória do povo as muitas ações do governo, que tendo sido planejadas e cultivadas, agora começam a render os frutos almejados. Quero lhe assegurar neste sentido, que se a atual crise me entristece, ela, de maneira alguma, abate meu ânimo e minha disposição de trabalhar e governar. Quem já passou por tantas dificuldades como eu, não tem direito de se abater. E Deus não tem me faltado.
      Confesso, Dom Geraldo, que dentre tudo que conseguimos realizar neste período, dois aspectos me trazem especial alegria e satisfação: de um lado, o crescimento do número de empregos formais, que atingiu a casa dos três milhões, 135 mil e 12, no mês de junho passado. Estes postos de trabalho, embora insuficientes para as nossas necessidades, representam um número treze vezes superior à média mensal do Governo passado; por outro lado a implementação sustentada das políticas sociais, onde o Bolsa-Família assume a posição de carro chefe e já beneficia 7.500.000 famílias, sendo um instrumento poderoso de inclusão social. Só menciono estes dois avanços como sinal da reafirmação de nosso compromisso com a superação dos graves desequilíbrios sociais acumulados ao longo de décadas, com a afirmação da dignidade humana em todos os momentos e circunstâncias e com a rigorosa proteção do direito dos indefesos.
      Neste sentido quero, pela minha identificação com os valores éticos do Evangelho, e pela da Fé que recebi de minha Mãe, reafirmar minha posição em defesa da vida em todos os seus aspectos e em todo o seu alcance. Os debates que a sociedade brasileira realiza, em sua pluralidade cultural e religiosa, são acompanhados e estimulados pelo nosso Governo, que, no entanto, não tomará nenhuma iniciativa que contradiga os princípios cristãos, como expressamente mencionei quando tive a honra de receber a Direção da CNBB no Palácio no Planalto.
      Quero encerrar colocando-me à disposição da Presidência da CNBB e de todos os membros do Episcopado, para que possamos dar continuidade ao diálogo que até hoje tem marcado nossa convivência. Tenho convicção que o exercício da consciência crítica da Igreja, que tem como referência a Fé e o Evangelho, constitui-se numa contribuição fundamental para a construção de um Governo justo e democrático.

Receba minha fraterna saudação,

Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente da República Federativa do Brasil


Atualizada em 10 de agosto de 2005

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